Igreja Anglicana já celebra casamentos em Botucatu

Fotos: Valeria Cuter

O ministro João Ricardo Marcello que deverá ser ordenado a diácono da Igreja Anglicana de Botucatu, inaugurada no ano passado e que funciona em uma capela na Rua João Lumina Júnior, 420, região da Cohab I, adianta que já pode realizar o cerimonial do casamento, seguindo rituais semelhantes aos da igreja católica.

A diferença é que a anglicana celebra casamentos, de preferência na capela, mas também fora, onde for mais adequado aos noivos como em sítios, buffet’s, clubes ou salões. “Acreditamos que os agentes deste sacramento são os noivos e não onde é realizado o enlace”, explica o futuro diácono.

Ele também salienta que a anglicana celebra casamentos de pessoas solteiras que, além de documentação requerida deverão participar das celebrações na comunidade, e divorciadas (um ou ambos), desde que tenham concluído o processo de divórcio, cumprindo as exigências legais e da igreja. Para ambos os casos existe um acompanhamento pastoral com o ministro, para se montar o processo matrimonial. Após esse acompanhamento, conforme agenda, marca-se a data. A duração da cerimônia gira em torno de 40 minutos.

“O matrimônio cristão é um ato solene e público entre um homem e uma mulher na presença de Deus. Na (igreja) anglicana exige-se que, pelo menos, um deles seja batizado; que não menos de duas pessoas sirvam de testemunhas ? cerimônia; e que o casamento esteja de acordo com os cânones da igreja e com as leis do país”, destaca João Marcello.

A orientação da igreja para o casamento é que o ser humano não foi feito para viver só, mas em comunidade e o matrimônio é uma mostra desse conviver em comunidade. É antes de tudo um estado de crescimento, ajuda mútua e de testemunho do amor divino. “A união entre duas pessoas é um exemplo de comunhão em uma sociedade e não começa propriamente na igreja, mas no momento em que o homem e a mulher planejam unir-se, e juntos pedirem as bênçãos de Deus para suas vidas. “A cerimônia religiosa apenas irá coroar os desejos e intenções do casal”, frisa Marcello.

A igreja entende que certos casamentos são tão, irreversivelmente, destrutivos que o divórcio será a única esperança de salvar qualquer coisa de construtivo. Divórcio representa o fracasso de um relacionamento, mas não se justifica consolidar o dano ficando juntos numa interação prejudicial ? pessoa. O divórcio então surge como o último recurso, depois de esgotados todos os meios de superação da crise matrimonial, para resguardar a dignidade de cada pessoa do casal. Uma segunda chance é possível para ambos construírem outra relação de forma sadia com a bênção de Deus.

“A igreja anglicana propicia através dos sacramentos e do aconselhamento uma pastoral acolhedora a todas as pessoas que sofreram com o divórcio e desejam outra oportunidade. A igreja tem uma postura auxiliadora e não de juíza. Além da conversa pastoral com o casal, serão necessárias as documentações que demonstrem a legalidade para poder realizar o segundo casamento”, explica Marcello.