Greve deixa clima tenso entre sindicato e Duratex

Fotos: Luiz Fernando / reprodução

 

Se nas primeiras horas da manhã de domingo, quando a greve na empresa Duratex de Botucatu foi deflagrada em clima tranqüilo com os funcionários retornando para casa e não entrado para fazer o turno de trabalho das 6 horas às 12 horas, durante o dia o clima ficou tenso.  No segundo turno (das 12 às 18 horas) os trabalhadores também não entraram para trabalhar.

Nesse intervalo entre dos dois turnos o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e Mobiliário de Botucatu e Região (Sinticom), abriu um Boletim de Ocorrência (BO), sob a acusação de que a empresa estaria mantendo funcionários em cárcere privado, não permitindo que deixassem a empresa, para não parar a linha de produção. A tensão durou o dia inteiro.

Além disso, a direção da empresa estaria buscando funcionários da linha de produção de helicóptero, decolando do aeroporto, de uma empresa e de um clube esportivo da cidade. Durante o dia, várias “viagens” teriam sidos detectadas. “Eles (diretores da empresa de Botucatu), não cumpriram o acordo e mantiveram funcionários dentro da empresa, não permitindo que fossem para casa e estão buscando funcionários de helicóptero. Um absurdo chegar a esse ponto por não querer abrir negociação para dar um reajuste aos trabalhadores”, disse o diretor social do sindicato, José Luiz Fernandes.

Sobre esse assunto, a Guarda Civil Municipal (GCM), através do Grupo de Ações Preventivas Especiais (Gape) com os agentes Pichinin, Nogueira e Vaz, esteve na tarde deste domingo no Aeroporto Municipal Tancredo Neves, onde um grupo de funcionários da empresa Duratex estava embarcando num helicóptero para se deslocar até a empresa para trabalhar, porém, alguns grevistas descobriram e se deslocaram até o local para protestar e tentar impedir o embarque. A guarnição contou com o apoio de outras viaturas, no local e a guarnição fez contato com o representante da Duratex que confirmou o fato. Os funcionários puderam embarcar e chegar até a empresa.

O sindicalista revela que durante o dia foram colocados cerca de 40 funcionários dentro da empresa em várias viagens de helicóptero e no turno das 18 a 0 hora apenas dois funcionários estavam nos ônibus. “Com os funcionários que entraram eles estão fazendo a fábrica produzir, mas não vamos desistir e permaneceremos aqui na porta da fábrica explicando aos funcionários o motivo desse movimento. Por terra ninguém está passando, a não ser os que exercem cargos de chefia, que não aderiram ao movimento, mas irão ser beneficiados caso aconteça um acordo”, colocou.

Um desses funcionários (chefia) fez à reportagem um breve comentário sobre a acusação do sindicato. “Ninguém (da empresa) está autorizado a falar sobre isso (greve). Sobre a produção da fábrica (que tem quatro linhas de produção) estar normal ele não quis se manifestar. Também não se manifestou sobre a entrada de funcionários na empresa por helicóptero.  

Na manhã desta segunda-feira (18), o sindicato não conseguiu impedir a entrada dos funcionários que fazem o horário administrativo (trabalham de segunda a sexta-feira, no horário comercial e não fazem turno). Protegidos pela Polícia Militar os funcionários entraram na empresa, sem maiores problemas.

O sindicato pleiteia 6,06% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de reposição salarial equivalente as perdas do período e mais de 1,5% de aumento real, totalizando 7,56%, vale-alimentação de R$ 150,00 entre outros. De acordo com o sindicato, a empresa inicialmente ofereceu 2% e, posteriormente, chegou aos 6,06% para cobrir a inflação dos últimos 12 meses e quer reduzir o desconto do convênio médico em folha de pagamento de R$ 18,00 para R$ 11,32.