Governo desiste de prorrogar horário de verão até março

A possibilidade de estender o horário de verão até março em 10 Estados do país e Distrito Federal foi suspensa em reunião do ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga com a presidente Dilma Rousseff. Com a crise do setor elétrico e os baixos índices de chuva, a hipótese de estender o horário de verão foi levantada pelo ministério, mas mesmo assim, a economia gerada nesse período não valeria a pena.

O horário brasileiro de verão 2014/2015 começou  entre os dias 19 e 20 de outubro do ano passado quando os relógios foram adiantados em uma hora nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.  A medida, adotada para economizar energia no horário de maior consumo, vai até o dia 22 de fevereiro deste ano, quando os relógios serão atrasados em uma hora.

“A razão de não ser prorrogada é que parte do Brasil ficaria escura pela manhã e teríamos, portanto, mais consumo de energia. Na parte da tarde, haveria um ganho de energia se a ponta de carga estivesse se confirmando”, disse Braga à imprensa. Nas outras edições, o maior consumo era a partir das 18 horas, o que não tem mais acontecido nesta edição, que tem registrado horários de pico a partir das 14 horas, por causa do forte calor e o uso de aparelhos de refrigeração.

De acordo com a Operadora Nacional do Sistema Elétrico (ONS), entre 2010 e 2014 o horário de verão resultou em economia de R$ 835 milhões para os consumidores. A estimativa para a edição 2014/2015 é em torno de 278 milhões, 31% a menos do que na edição passada, que alcançou 405 milhões.

Para o climatologista da Somar Meteorologia, Paulo Etchichury a decisão do governo foi adequada. "As condições de reservatórios são críticas no momento por ser o terceiro ano consecutivo com menos chuvas. O fato de postergar o recurso de verão implicaria nos hábitos da população, causando transtornos. Por outro lado, o impacto não seria tão grande na economia e não daria para mensurar resultados”, comenta.

Segundo o meteorologista da Somar, Celso Oliveira, dificilmente será atingido o número estabelecido pela ONS de 35%, como o mínimo nos níveis dos reservatórios, já que as condições atuais de chuvas não devem ser revertidas, sendo insuficientes para garantir uma recuperação, mesmo que parcialmente. “Do ponto de vista de condições de chuva e reservatórios, fica eminente o risco de racionamento em 2015, por isso, a população tem que se conscientizar que estamos em um ano crítico e será necessária a economia de consumo”, finaliza.