Goleiro Bruno é condenado a mais de 22 anos de prisão

Quem esperava uma pena de mais de 30 anos de reclusão ao goleiro Bruno Fernandes pela morte da ex-amante Eliza Samudio ocorrida em 10 de junho de 2010 acabou se frustrando. Mesmo sendo apontado como culpado em todos os quesitos apresentados ao Conselho de Sentença, a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues determinou uma pena de 22 anos e três meses. Juristas que acompanharam o caso entendiam que a pena ficaria entre 30 a 40 anos de reclusão.

Marixa Rodrigues determinou 17 anos e seis meses de prisão em regime fechado pelo homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima). Neste crime, o goleiro foi beneficiado com redução de três anos na pena pela confissão parcial. Pelo sequestro da modelo e do filho Bruninho, o goleiro pegou mais 3 anos e outros três meses pelo agravante de ser pai da criança. Ele também foi condenado a um ano e seis meses pela ocultação de cadáver. Estas últimas duas penas serão cumpridas em regime aberto.

Com a pena anunciada nessa madrugada, o ex-goleiro do Flamengo (que já cumpriu três anos de pena) poderá pedir o regime semiaberto quando cumprir dois quintos da pena para poder trabalhar ou estudar durante o dia e só voltar ? penitenciária para dormir. Já a ex-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues do Carmo, foi absolvida dos crimes de sequestro e cárcere privado da criança que o jogador teve com a vítima.

O promotor de Justiça Henry Wagner Vasconcelos, que atuou na acusação decidiu recorrer da sentença da juíza. Os crimes, segundo Vasconcelos, foram cometidos “em razão do mando dele e igualmente em razão das ponderações do mesmo acusado, pelos delitos de sequestro de seu filho com Eliza Silva Samudio, e de ocultação do cadáver dela, após seu bárbaro, cruel e covarde assassinato”.

O julgamento começou na última segunda-feira (4) no fórum de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte e foi concluído por volta das 2 horas da madrugada desta sexta-feira (8). Bruno está preso há 3 anos, acusado de ser o mandante do crime. Em novembro de 2012, o ex-braço direito e amigo de Bruno, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, foi julgado e, após confessar o crime, foi condenado a 15 anos de prisão (12 em regime fechado).

As condenações não são o desfecho da história. Além de dois julgamentos de outros três acusados, marcados para abril e maio deste ano, novas investigações estão em andamento para apurar a possibilidade de outros dois ex-policiais civis mineiros terem participado do assassinato com Marcos Aparecido dos Santos, o Bola.

{n}Depoimento{/n}

Nesta quinta-feira (7), Bruno mudou sua versão dada no depoimento de quarta. Perguntado por seu advogado Lúcio Adolfo se sabia que Eliza iria morrer, ele disse que sim. “Sabia e imaginava”, afirmou o goleiro. “Pelas brigas constantes, pelo fato de eu ter entregado ao Macarrão o dinheiro.” E emendou: “E pelas agressões do Macarrão”.

Na quarta-feira (6), o goleiro admitiu que Eliza foi assassinada e teve o corpo esquartejado e jogado para os cães por Bola. Entretanto, o jogador alegou que não tinha conhecimento prévio do crime e que a execução da jovem havia sido tramada por Macarrão. “Como mandante dos fatos, eu nego, mas, de certa forma, me sinto culpado”, disse o goleiro.

O ex-atleta do Flamengo assumiu que se beneficiou da morte e poderia até ter evitado que ela ocorresse. “Não sabia, não mandei, mas aceitei”, disse, referindo-se ao assassinato. Bruno negou o sequestro de Eliza, mas afirmou que a jovem se encontrava com ele para exigir dinheiro, a título de pensão, pelo fato de terem tido um filho.

{n}Entenda o caso{/n}

Ex-amante do goleiro Bruno, Eliza Samudio desapareceu em junho de 2010 quando viajou do Rio de Janeiro para o sítio do jogador em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Acompanhada de seu bebê, filho de Bruno, ela fez seu último contato por telefone em 9 de junho. Poucos dias depois, a polícia recebeu a denúncia de que a jovem estaria morta.

Um primo de Bruno, então com 17 anos, foi apreendido na casa do goleiro, no Rio, após a polícia receber denúncia de que o rapaz havia participado da execução de Eliza. À polícia, ele revelou a participação de mais sete suspeitos no crime e disse que Bola teria matado a jovem. O corpo, no entanto, nunca foi encontrado.

O primo de Bruno foi condenado a três anos de internação pelo sequestro e morte de Eliza. No fim de 2010, a Justiça mineira determinou que Bruno, Macarrão, Bola e Sérgio Rosa Sales – este último primo do goleiro, e encontrado morto em agosto de 2012 – fossem julgados por júri popular pelo sequestro e morte de Eliza. Já Dayanne, Fernanda Gomes de Castro (ex-namorada de Bruno), Vítor da Silva (caseiro do sítio de Bruno) e Wemerson Marques de Souza, o Coxinha (amigo de Bruno), foram acusados por sequestro e cárcere privado. Além de Macarrão, Fernanda também já foi condenada por cinco anos em regime aberto. Os demais réus ainda aguardam julgamento.

Fonte: MSN