Gil Rugai é condenado a mais de 33 anos, mas ficará em liberdade

Mais uma vez a Justiça brasileira mostrou uma de suas facetas negativas. Mesmo sendo condenado a 33 anos e nove meses de prisão, o publicitário Gil Rugai, vai permanecer em liberdade para recorrer da decisão do Conselho de Sentença, por determinação do juiz presidente do júri, Adilson Paukoski Simoni. Rugai foi julgado pelos assassinatos do pai dele, Luiz Carlos Rugai, 40 anos, e da madrasta, Alessandra de Fátima Troitiño, 33 anos, ocorridos em 28 de março de 2004, na casa onde viviam em um bairro nobre da zona oeste de São Paulo.

O casal foi assassinado a tiros e, embora Gil Rugai sempre tenha negado a autoria dos disparos, um vigia que trabalhava naquela rua disse ? Polícia Civil tê-lo visto deixar a cena do crime. Além disso, colaborou para a tese da acusação o fato de algumas testemunhas terem relatado a briga entre pai e filho dias antes.

A decisão foi anunciada na tarde desta sexta-feira (22), no Fórum Criminal da Barra Funda, após o júri considerar Gil Rugai culpado e aceitar como verdadeira a tese de que ele matou o casal depois que o pai descobriu um desvio de dinheiro da empresa da família e expulsá-lo de casa, cinco dias antes. Pelo assassinato do pai, Rugai foi condenado a 18 anos e nove meses. Pela morte da madrasta, a 15 anos. O promotor de Justiça Rogério Leão Zagallo, responsável pela acusação, saiu chorando do plenário abraçado ao assistente de acusação Ubirajara Mangini Pereira.

O placar do julgamento terminou em 4 votos a 1 em relação a autoria do duplo homicídio e em 4 votos a 3 com relação ao motivo torpe dos assassinatos. Os jurados ficaram reunidos em uma sala durante 25 minutos para chegar ao resultado. O réu foi defendido pelos advogados Marcelo Feller e Thiago Anastácio, que defenderam a tese de negativa de autoria.

O julgamento durou cinco dias, sendo que foram ouvidas 15 testemunhas – cinco de acusação, sete de defesa e três do juiz. Gil Rugai foi o último a depor, sendo interrogado por cerca de quatro horas e meia, na última quinta-feira. Ele, que sempre alegou ser inocente, respondeu ? s perguntas do juiz Adilson Paukoski Simoni e de seus advogados, Marcelo Feller e Thiago Anastácio, mas foi orientado a ficar em silêncio durante o interrogatório do promotor.

Cinco homens e duas mulheres compuseram o Conselho de Sentença e responderam ao todo, a oito questões elaboradas pelo juiz (quatro referentes a cada assassinato): se as vítimas foram mortas a tiros; se Gil Rugai, acompanhado de outra pessoa desconhecida, foi o autor dos disparos; se absolvem o acusado; e se o crime foi cometido por motivo torpe, em razão de o réu ter sido afastado da participação dos negócios da família, o que lhe causara indignação.

{n}Os debates{/n}

Para a acusação, Gil Rugai matou o casal, pois seu pai soube que ele desviou parte de seu dinheiro e, diante da descoberta, o expulsou de casa cinco dias antes do crime. Para tentar comprovar a tese, apresentou depoimentos de testemunhas que relatam essa briga entre pai e filho, além de laudos periciais que apontaram o réu como autor também do arrombamento ? porta da sala onde Luiz Carlos tentou se proteger. A Promotoria também destacou o fato de a arma de onde partiram os tiros ter sido encontrada no edifício onde o réu estava montando outra produtora de vídeo na ocasião.

Já a defesa tentou explorar as “fragilidades” apontadas na investigação da Polícia Civil, que, na opinião dos defensores, falhou ao seguir apenas uma linha de investigação e apresentou vários “lapsos” em laudos, como o que demonstrou a compatibilidade entre o pé de Gil Rugai e a marca de pisada encontrada na porta arrombada. Em sua fala, questionou se eram “incontestáveis” os “quatro pilares” usados pela acusação para incriminá-lo, rebatendo ponto a ponto as seguintes questões: se houve fraude; se ele foi expulso de casa; se a marca do solado do pé era de Gil Rugai e se a arma encontrada pertencia ao réu.

Foto: Divulgação