Fundação CASA lança, oficialmente, calendário de 2011

Na noite desta sexta-feira (25) a Fundação CASA (Centro de Atendimento Sócioeducativo ao Adolescente) de Botucatu lançou, oficialmente, o calendário 2011, tendo como tema “África em Nós”, inspirado na exposição fotográfica realizada no ano passado, mostrando as imagens feitas pelos internos.

Entre os presentes estiveram a secretária de Assistência Social, Maria Della Coletta; o presidente do CRAMI (Centro de Registro de Atendimentos aos Maus Tratos ? Criança), Márcio César Lopes da Silva; a Assessora de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Conceição Vercesi; a supervisora regional da Fundação CASA, Jane Gamuglia, entre outros.

Foram confeccionados 300 exemplares em 13 páginas com imagens inseridas na exposição, tendo o negro como personagem central. Todo o trabalho visual e textos foram desenvolvidos pelos próprios internos com supervisão do professor Everton Oliveira e diretores da entidade. O apoio veio da Prefeitura Municipal e realização do CRAMI e Fundação CASA, com objetivo é divulgar as ações e o trabalho da instituição.

Os visitantes puderam assistir uma representação cênica dos internos sobre a vida e obra do escritor Carlos Drumond de Andrade, dirigida pelo professor Everton, assim como a apresentação do grupo “Tom Negro” que apresentou duas músicas compostas pelos próprios internos: “Todos temos um pouco de África” que foi vice-campeã do festival nacional e a mais recente “Samba – minha razão para viver”.

Fechando o evento com chave de ouro, os convidados receberam das mãos dos internos o calendário e, em seguida, puderam degustar uma variedade de doces e salgados feitos pelos próprios internos do Curso de Panificação Artesanal e Quituteria, coordenado pelo professor João Cyrilo Neto.

{n}Um pouco da Fundação CASA {/n}

Com a filosofia de acreditar no desenvolvimento humano pela educação e pela arte, a Fundação CASA Botucatu oferece aos seus jovens, atividades artísticas, culturais, cursos de educação profissional, escolarização formal, além de educação física, esporte e lazer.

Administrada pela advogada Juliana Rosa, a entidade tem capacidade para atender 56 adolescentes e jovens na faixa etária compreendida entre 12 a 21 anos incompletos. São 16 vagas para medida de internação provisória e 40 para medida de internação.

Para manter a operacionalidade diária, a unidade conta com aproximadamente 100 pessoas, sendo 50% delas da própria Fundação custeada pelo governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania. O quadro se completa com funcionários do CRAMI e terceirizados.

O Centro de Botucatu iniciou suas atividades em novembro de 2006 e antes de ser inaugurado os adolescentes de Botucatu eram internados em diferentes regiões do Estado e na própria capital, longe do contato dos familiares que encontravam dificuldades para realizar as visitas.

Não bastasse isso, os adolescentes eram internados em unidades da Febem – Fundação Estadual do Bem Estar do Menor, que eram conhecidas como “escola de marginais” e os adolescentes saíam muito pior do que entravam. As Fundações CASA espalhadas pelo Estado vieram a mudar esse conceito.

Em Botucatu estão em regime de internação, adolescentes que praticaram os mais diferentes tipos de delitos, principalmente, tráfico de entorpecentes. Recebem, diariamente, atendimento que consiste na oferta das assistências básicas como material, educacional, cultural, esportiva, lazer, saúde, social, religiosa e jurídica. A média de internação é de um ano e dois meses.

“Procuramos manter os adolescentes em atividade desde que levantam até a hora em que vão se deitar. Para isso, temos professores que prestam atendimento constante proporcionando aos internos atividades variadas compreendendo o ensino formal, a educação profissional, educação física e esportiva, atividades culturais e de lazer, entre outras”, enumera a diretora Juliana Rosa.

“Tudo isso, visando a conscientização desses adolescentes e jovens para o resgate da auto-estima, cidadania e solidariedade priorizando o atendimento integral, com ênfase nas ações voltadas para a educação para o trabalho, cidadania e desenvolvimento pessoal e social”, acrescenta a diretora.

Ela enfatiza que os adolescentes buscam dar prioridade as atividades educacionais, esportivas e artísticas, que mais se identificam com eles próprios e isso não tem ficado restrito nas dependências da entidade. “Os adolescentes tem se apresentado em teatro interpretando peças, festival de música, campeonatos esportivos e realizando exposições. Esta é uma maneira de fazer com que eles sejam, gradativamente, reintegrados ao convívio social. É esse o nosso objetivo”, concluiu Juliana Rosa.

Fotos: Valéria Cuter