Festa do Bom Jesus de Ribeirão Grande atrai 10 mil pessoas

Fotos: David Devidé

Aproximadamente, 10 mil pessoas estiveram presentes na festa do Bom Jesus de Ribeirão Grande, realizada entre os dias 4 a 5 de agosto, no Município de Pardinho. Toda a arrecadação será destinada a dar sequência a construção da Igreja de Bom Jesus de Ribeirão Grande, que está em fase final de acabamento.

Durante dois dias a comissão representativa da festa preparou uma série de atividades com montagem de barracas de alimentação, leilões, shows com artistas da região, além de uma roda de violeiros. Na parte religiosa o ponto marcante foi a missa celebrada pelo Arcebispo Dom Maurício Grotto de Camargo, ao lado do Arcebispo Emérito de Botucatu, Dom Antônio Maria Mucciolo e dos padres Max e Orestes.

A comissão pró-construção é formada pelo padre Orestes Gomes Filho, José Simião de Oliveira (presidente), Amarildo Martini, Antonio Carlos Sacamoni, Odilon Oliveira Pinto e Reginaldo Sartor. “Foi esse mais um desafio superado e as obras igreja estão na fase final. Isso foi conseguido através de doações que foram feitas e das festas realizadas nos últimos oito anos”, destacou o presidente José Simião, lembrando que as missas são realizadas todos os primeiros domingos de cada mês.

Outro dado interessante foi a romaria a pé feita de Pardinho a Bom Jesus do Ribeirão Grande pelo Grupo de Caminhadas Papa-Trilhas, de Botucatu. Eles percorreram os 16,38 km em 4 horas e 10 minutos de caminhada.

{n}Um pouco da história{/n}

Ribeirão Grande chegou efetivamente a ser uma das grandes cidades da região de Botucatu na passagem do século passado. O primeiro registro de nascimento na então Ribeirão Grande ocorreu em 28 de fevereiro de 1.893, de um menino, que figura apenas com nome de Benedito, filho de José Maria da Luz.

O primeiro “Edital de Habilitação” – termo para casamento usado na época – foi de Gabriel Higino de Carvalho e Delfina Cassemira de Carvalho, ocorrido em 6 de agosto de 1.891. Outro livro refere-se a procurações e escrituras, onde a primeira transação foi lavrada para a venda de uma gleba de terra, no valor de seis mil réis, entre Eloy de Melo César e Francisco Fiúza de Andrade, localizada na fazenda Limoeiro, na Vila do Rio Bonito (Bofete) circunscrita (na época) ? comarca de Tatuí.

No livro n° 01 consta o primeiro óbito verificado na localidade, de Luiz Francisco das Chagas, em 30 de maio de 1.893. Todos os dados que existem, em livros que não caracterizam seu real passado, narram fatos ocorridos após o ano de 1.891. Esses únicos documentos estão arquivados no Cartório de Paz e Anexos de Pardinho, embora Ribeirão Grande na condição de distrito pertencesse na época ? comarca de Botucatu. Chegou em 1.910 a possuir uma população de aproximadamente três mil habitantes.

Todavia, verifica-se que Ribeirão Grande era mais antiga que isso, como comprova a escritura lavrada no primeiro oficio da Comarca de Botucatu, onde fora feita em 23 de dezembro de 1.868, uma doação de vinte e cinco alqueires e meio de terras por oito casais, para a formação do patrimônio do Santo, em Ribeirão Grande.

É sabido, também, que, antes disso, Ribeirão Grande disputara com Botucatu o privilégio de ser elevada ? Freguesia, perdendo para a povoação de Cima da Serra, por razões políticas. Alguns antigos moradores da região onde foi Ribeirão Grande, afirmam com superstição que três causas provocaram o desaparecimento da cidade.

A primeira – afirma um deles – foi a praga de um padre, após violento espancamento que sofreu durante uma festa. Esse sacerdote, ao ver-se humilhado pelos agressores, disse em altos brados que um dia a cidade desapareceria e seus moradores seriam varridos.

Outra versão é a de que a rivalidade política entre as duas cidades contribuiu fatalmente para o fim de Ribeirão Grande, tendo sua população se transferido para Pardinho e cidades vizinhas. A última justificativa para o desaparecimento da localidade foi a gripe espanhola ou febre amarela que se espalhou no mundo inteiro, dizimando muitas cidades, e que um dia chegou ao Ribeirão Grande.

Superstição ou não, o que realmente se sabe, é que, com o advento da Lei Áurea, imigrantes Italianos, em bom momento aportaram no Brasil, vindos do velho continente renovar as forças braçais dos fazendeiros de antanho, que ficaram totalmente sem os serviços braçais de seus escravos na agricultura, principalmente na qualidade e na produção do maior filão de “ouro preto”, da história, transformando esta nação, por muitas décadas no maior produtor de café do mundo e, também por conseqüência, na maior fonte de divisas do País.

Os ribeirãograndenses, vendo os italianos a crescerem economicamente com suas lavouras, principalmente na plantação e produção do café, nas regiões em que estes se situavam, logo passaram, também, a transferirem-se para regiões de fazendas e sítios de terras mais férteis na produção do café, diminuindo, assim, aquele que era um pequeno povoado com aproximadamente três mil habitantes por volta de 1.912.

Ribeirão Grande, mesmo em dias comuns, era muito movimentada. Mas a agitação crescia por causa dos visitantes, quando a todo seis de agosto se homenageava a São Bom Jesus, padroeiro da cidade. Moradores de toda a região na semana que antecedia a festa instalavam tendas para dormir, barracas, gado leiteiro para seu consumo. Sua igreja era muito freqüentada, nos dias de festa os moradores enfeitavam as ruas para receber os fiéis das cidades vizinhas.

Imagens e castiçais, de alto valor, enriqueciam o templo. Bem ornamentado também era o cemitério, a alguns metros da igreja, com túmulos sofisticados, cujas plaquetas numeradas a identificar a pessoa falecida, brilhavam a distância, tal era o polimento. Por esses insignificantes pormenores, ou pela crença de seu povo, Ribeirão Grande era o centro para o qual convergiam as atenções dos habitantes da região de Botucatu.

A igreja que lá existia, guardava em seu interior imagens, de valor inestimável, castiçais raríssimos trazidos da Itália por seus filhos mais abastados, que aportaram em grandes contingentes, em diversas oportunidades em nossa pátria, logo após a abolição dos escravos, trazendo ainda, consigo, ornamentações de custos elevados para a época, principalmente, quando, mais recentemente ainda, perderam em 1973 (em nome do progresso) sua igreja, com o consentimento do Arcebispo da época para dar lugar ? linha de energia de alta tensão da CESP.

No decorrer do tempo, foram demolidas as residências, as vendas (casas comerciais), a escola, a casa da cadeia e os túmulos do cemitério, onde foram sepultadas mais de quatrocentas pessoas. O ex-distrito de Ribeirão Grande vem, desde então, sendo comandado pelo município de Pardinho no quase nada que lhe restou. E como um invocar do passado, sempre no dia seis de agosto de todos os anos, o povo da região, ainda clama para as autoridades espirituais e políticas temporais locais, no sentido de reconstruir a Igreja do Bom Jesus, para orar e fazer suas preces por seus entes queridos lá sepultados e cultivar as boas lembranças do local.

A área remanescente de dois alqueires do patrimônio do Ribeirão Grande, desde 1868, está localizada na altura do km 198 da Rodovia Castelo Branco, as margens do trevo que serve os Postos Rodoserv e Maristela, incrustado no Empreendimento Ninho Verde.