Estratégia de Dilma em atacar Marina só fortaleceu o Aécio

Definitivamente, numa eleição adotar uma estratégia errada pode reverter um quadro na reta final de campanha. Foi isso que aconteceu com a presidente Dilma Rousseff (PT), que teve um erro de estratégia, jogando o segundo turno no colo de Aécio Neves (PSDB), que tem chances reais de ser eleito no próximo dia 26 de outubro. O que é insofismável é que nem Aécio nem Dilma simbolizam renovação no poder.  Ele significa alternância e ela a continuidade.

E essa eleição foi atípica. Após a morte de Eduardo Campos (que tinha menos de 10% de intenção de votos), houve um crescimento de Marina Silva que chegou a colocar 10 pontos à frente de Dilma e 20 em Aécio, mas ficou em meio a dois fogos cruzados. Armas políticas com alto poder de destruição. As de Dilma que criticou ferozmente a candidata do PSB pondo em dúvida sua capacidade de governar e acusando-a de querer acabar com programas sociais como o pré-sal, bolsa família e Minha Casa Minha Vida.

Do outro lado Aécio passou a atirar para todos tentando evitar um dos maiores vexames do PSDB em campanhas presidenciais. Deu certo! Conseguiu sair de uma situação que parecia, irreversivelmente, perdida ir para o segundo turno e agora suas possibilidades de se tornar o presidente do Brasil são grandes.

O erro de estratégia de Dilma foi tentar desestabilizar a campanha de Marina, com a certeza de que Aécio não subiria nas pesquisas e consolidar o pleito, ainda no primeiro turno. Ela conseguiu derrubar Marina, mas fortaleceu Aécio que teve uma ascensão com seu forte poder de oratória e persuasão. Muito melhor do que Marina.

Por isso, se acontecer uma vitória tucana no próximo dia 26 ela deve ser creditada a coordenação de campanha da atual presidente. Num debate e discussão de programas com Marina e Aécio, claro que a candidata é mais vulnerável. Então a Dilma acabou colocando Aécio numa posição confortável e  é previsível o discurso dos dois candidatos, tanto para o ataque como para a defesa.   

Se Dilma não tivesse tirado Marina da disputa suas chances de conseguir a vitória seriam maiores.  Pelo menos penso desta forma, já que Marina ainda têm laços afetivos dentro do PT e evitou fazer qualquer tipo de crítica ao principal líder do partido, Luiz Inácio Lula da Silva, embora tenha sido duramente criticada por ele. E tem outro detalhe: num debate entre as duas, a vantagem seria da petista. Por isso não havia razão para tanta agressão. Isso só fortaleceu Aécio.

Caso seja eleito Aécio irá conversar, primeiramente,  com o PMDB que, assim como tem feito nas últimas eleições, deverá debandar ao tucanato para formar a base aliada ao governo. Isso já foi feito no passado, continua no presente e a probabilidade que se estenda no futuro, é bastante grande. Se Dilma vencer, nada muda. Então que os dois candidatos preparem seus cartuchos e aquele que melhor souber espalhar o chumbo, leva. E fiquem com um pé atrás com os números das pesquisas.