Empresas de Botucatu poderão aderir ao “Plano Dilma”

“A situação é muito preocupante e isso não é um problema só da nossa região. E não dá para ver uma luz no fim do túnel, ou seja, não há perspectivas de melhora para este ano. Na nossa região as empresas da metalurgia e suas prestadoras de serviços estão em estado de vigilância e não podemos descartar demissões para os próximos dias. Não dá para fazer um diagnóstico positivo, pois a crise atual impede as empresas de promoverem investimentos e manter a produtividade estável”.

Foi o que disse na manhã desta sexta-feira o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Botucatu, Miguel Ferreira da Silva (foto), que computou nesse primeiro semestre mais de 1.500 rescisões de contratos em Botucatu,  sem contar com as outras cidades da região atendidas pelo sindicato. Também não estão computados nessa estatística os trabalhadores demitidos com menos de um ano de trabalho, já que o sindicato só faz as rescisões a partir de 12 meses.

“Tudo que as empresas puderam fazer para evitar demissões em massa foi feito, mas situação é bastante grave. A única solução para tentar minimizar o problema é  aderir ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE), conhecido como "Plano Dilma" e é esse caminho que está sendo trilhado para as empresas dos setores mais atingidos, como a metalurgia, que passam por crise de produção e de vendas”,  disse o sindicalista botucatuense.

Ele explica que as empresas que aderirem ao programa poderão reduzir em até 30% a carga horária dos funcionários, diminuindo o salário, por um período de seis meses. Porém, parte da perda salarial será compensada pelo governo, usando recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Essa compensação está limitada a R$ 900 por trabalhador.

“Apenas empresas que estiverem, comprovadamente,  com problemas financeiros poderão participar do programa. Enquanto estiverem inseridas nesse programa,  elas não poderão demitir os funcionários que passaram pela redução da carga horária, exceto em situação de demissão por justa causa", frisa Miguel Silva.

 

Acordo feito

Ele lembra que buscando alternativa para contornar a crise e evitar demissões empresas de grande porte do Município, como a Caio/Induscar,   através de votação, firmou acordo com os funcionários para redução de jornada de trabalho e de salários em 20%.

Com isso,  a Caio passou a trabalhar quatro dias por semana (segunda, terça, quarta e quinta-feira),  interrompendo a produção nos outros três (sexta-feira, sábado e domingo). Pelo acordo essa medida tem o prazo de três meses, podendo ser prorrogada por mais três meses, sendo reavaliada à medida que houver maior volume de vendas e de disponibilidade de chassis.

Entretanto, mesmo com essa medida emergencial,  a produção caiu muito nas últimas semanas fazendo com que a empresa antecipasse a paralisação de atividades para esta quinta-feira (ficará parada por quatro dias) e a previsão é que na quinta-feira da semana que vem a mesma medida seja adotada.

Cita, também, a Irizar que buscou alternativas encaminhando  dezenas de funcionários para a matriz  na Espanha, mas já está demitindo. “Nos próximos dias deveremos fazer as rescisões de cerca de 40 funcionários. Desses, 30 já saíram e os demais poderão ser demitidos  nas próximas horas”,  prevê o presidente não se esquecendo das pequenas empresas  prestadoras de serviços.

“Essas empresas menores vivem um drama e são as que mais sentem os efeitos dessa crise: não podem pagar o salário dos seus trabalhadores, nem arcar com as despesas de uma rescisão trabalhista.  O pior de tudo é que a previsão de melhora só é prevista para o segundo semestre do ano que vem”,  complementou o sindicalista.