Droga é a degradação moral de um indivíduo

Embora a Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE) de Botucatu faça um trabalho muito bem feito com a desativação de pontos de drogas conhecidos como “biqueiras”  usados por viciados para aquisição de entorpecente de drogas, o crescimento do dependentes está crescendo. E esses locais usados como pontos de vendas são os mais variados: casas e galpões abandonados, praças, ruas e terrenos baldios. Não bastasse isso, uma modalidade de tráfico que está crescendo é a entrega a domicílio. O entorpecente é fornecido como se fosse uma pizza.

A presença de usuários e traficantes eleva as estatísticas criminais na área onde as biqueiras são instaladas. Causam medo de entrar e sair de casa, de invasão e arrombamento, roubos, furtos e outros crimes. Todo e qualquer objeto de valor existente nos imóveis, desde uma torneira velha, batentes e janelas até os fios elétricos dos imóveis, são saqueados e trocados por droga, principalmente o crack que é um  subproduto da cocaína e pode levar ao vício na primeira tragada.

Na dependência, nada escapa do alcance quando o usuário está na fissura pela droga, vivendo em estado degradante, não se preocupando com a própria higiene pessoal, não dorme e quando não faz algum bico vive de esmolas. Só pensa em como conseguir a próxima pedra. Nessa minha profissão de repórter já vi muito isso. O pior de tudo é que um dependente causa co-dependência da família. Afeta a vida de todos.

E o mais alarmante é que a grande maioria de usuários está na faixa etária compreendida entre 13 a 20 anos. Passam a vender droga para sustentar o vício. Nesse “comércio” para cada dez pedras vendidas ele ganha uma. Porém, geralmente, quando vai acertar as contas acaba ficando em dívida com o traficante. O final é previsível.

A droga, então, é a porta de entrada para crimes. Quase sempre este início é igual: através do melhor amigo, o colega de escola, o namorado ou a namorada. Quando o jovem está aborrecido, oferecem-lhe de graça uma passagem para um mundo onde o aborrecimento vai desaparecer.

Se ele aceita, o “amigo” vai estar em seu caminho para oferecer outras doses até que a dependência se instale e aí a brincadeira passa a custar dinheiro e seu organismo passa a necessitar  sempre de uma tragada a mais. E nesse ponto a pessoa já se tornou escrava da droga e do seu fornecedor, que nem sempre é o traficante maior, mas age em seu nome. Daí as conseqüências são as piores possíveis. O que parece divertido ou fascinante hoje se transforma num pesadelo amanhã. A cura existe, mas para chegar a ela é necessário uma força de vontade que,  na maioria das vezes, o dependente perdeu.