Demora na entrega de corpos para velórios gera inconformismo

“Na Unesp é preciso ter hora certa para morrer!”. É essa a grave e frequente reclamação de Munícipes de Botucatu e de outras cidades da região, com relação a excessiva demora para entregar os corpos para que familiares façam o velório.

O departamento responsável por este setor é o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) órgão subordinado ? Superintendência do Hospital das Clínicas (HC), que é administrada pelo professor Emílio Curcelli (foto), desde a autarquização feita pelo Governo do Estado, no ano passado. Como autarquia o HC passou a ser vinculada, diretamente, ? Secretaria Estadual da Saúde e ganhou autonomia administrativa, financeira e patrimonial.

Já foram apontadas várias situações em que os corpos levaram mais de 12 horas para serem liberados. Essa demora é reconhecida pela própria superintendência que não tem um trabalho direcionado nessa área 24 horas por dia. De acordo com informações coletadas junto a assessoria, o SVO funciona de segunda a sexta-feira, das 8 ? s 20 horas e aos finais de semanas e feriados das 9 ? s 20 horas.

Com isso, caso uma morte ocorra após as 20 horas e antes das 8 horas da manhã do dia seguinte, o corpo permanece por cerca de 12 horas “guardado” no HC, já que não há técnicos especializados suficientes para prestar um atendimento 24 horas por dia. Essa longa espera para liberar os corpos gera inconformismo nas famílias.

Outro dado vindo da Superintendência é que as autópsias são feitas somente até as 23 horas, horário que o técnico vai embora. “E por se tratar de um procedimento demorado – cerca de 3 horas – é necessário que a ficha de solicitação para a verificação seja entregue até as 20 horas, caso contrário, o corpo passará pelo procedimento no dia seguinte”, afirma a assessoria em nota, destacando que o SVO do HC atende aproximadamente 70 cidades da região e realiza, em média, 7 procedimentos por dia.

“É um serviço de avaliação da causa da morte desconhecida ou duvidosa com o objetivo de fornecer elucidação diagnóstica e informações complementares para o serviço de epidemiologia e políticas de saúde pública em geral, o que para a sociedade é de suma importância, pois pode colocar em evidência os possíveis riscos a saúde que estão em emergência, tanto os já conhecidos quanto os que não são comuns, ou ainda casos de uma doença nova em um determinado local”, finaliza a nota.