Dedo na ferida – “Os tais recadinhos da TV…

Eu não consigo assimilar a peça algumas redes de televisão pregam nos telespectadores, com suas engenhosas maneiras de burlar a lei que limita os comerciais. Impunemente. Para passar por cima da lei os apresentadores chamam os comerciais de “recadinhos” que são feitos durante a programação normal.

O jargão é quase sempre o mesmo. O apresentador anuncia uma determinada atração, mas muda o foco… “Mas antes vamos dar um recadinho importante…”. E fazem o comercial anunciado ao mais variados tipos de produtos, como se eles fizessem parte do programa.

E eles vão desde produtos de limpeza, passando por máquinas que fazem maravilhas na cozinha e até sorteio de carros e dinheiro. Anunciam-se tudo! Uma festa! Isso sem falar daqueles programas pagos que dão prêmio em dinheiro para quem acertar uma determinada palavra seguindo uma linha de sílabas ou acertar no jogo dos erros.

Mas voltando aos tais recadinhos, vale salientar que algumas programações estão exagerando. Para verificar, basta assistir aos programas esportivos diários e dominicais. Uma festa! Neste caso ao telespectador restam duas opções: ou assiste aos tais recadinhos, ou muda de canal.

Que o espaço na televisão é caro, e que os apresentadores necessitam de um bom dinheiro para manter os programas no ar, não se discute. O comercial é fundamental para sobrevivência de qualquer órgão de imprensa, seja ele falado, escrito ou televisionado. Ocorre que nas televisões está havendo um exagero, que ultrapassa o limite do tolerável. É muito recadinho pra pouco programa.

E são exatamente esses recadinhos que fazem a alegria dos apresentadores, que “beliscam” uma gorda comissão pelos comerciais. Quando estava no ar, o apresentador Clodovil Hernandes, não escondia de ninguém o seu prazer de fazer esse tipo de propaganda e não tinha pudores em afirmar que quanto mais dava seus recadinhos, mas engordava sua canta bancária.

Chegou a dizer que seu salário mensal com uma determinada rede de TV, girava em torno de R$ 10 mil. Com a comissão dos tais recadinhos esse montante ultrapassava a casa dos R$ 100 mil. Um aumento significado nos seus vencimentos. Pelo menos ele tinha a coragem de dizer. Morreu deputado.

Seria interessante que os telespectadores que se sentissem lesados procurassem os seus direitos. Se houver uma movimentação nacional, seguramente essa pouca vergonha tenderia a acabar. Mas como falar para o cidadão que as leis devem ser cumpridas, se em rede nacional as televisões não cumpre o que determina a Constituição?

Pouca gente sabe, mas existe uma lei federal impondo limite de tempo aos comerciais. Porém, os apresentadores encontraram uma maneira de burlar a lei. Eles interrompem a programação e alegam que vão passar um recadinho importante e acabam fazendo propaganda de tudo. Depois de quatro ou cinco recadinhos, voltam ? programação normal para, só então, chamar os comerciais convencionais.

O pior de tudo é que ilustríssimos deputados federais e senadores do Congresso Nacional fecham os olhos a esta situação. Afinal, brigar com redes de televisão não é um bom negócio. E o pior: muitos políticos que lá estão, são proprietários de canais de rádios e televisões e não vão legislar contra eles, mesmo que estejam errados. Afinal, cumprir a lei para que? Dane-se o povo!