Cooperblue passa a trabalhar com 30% de sua capacidade

Fotos: Valéria Cuter

Dos males o menor. Assim está a Cooperblue, trabalhando com apenas 30% de sua capacidade, depois da decisão do juiz da 1ª Vara Civil da Comarca de Botucatu, Marcelo Moreira, que expediu um mandado para retirada de 160 máquinas de costura que pertence a massa falida da Botucatu Têxtil (antiga Staroup). Dessas máquinas 51 estavam sendo usadas na linha de produção e as outras 109, armazenadas.

A solução emergencial encontrada pelos diretores da Cooperblue foi colocar em funcionamento as máquinas mecânicas que não estavam mais em uso, para não parar a produção. “Uma máquina de costura de bolsos automática faz 100 peças por dia, enquanto a mecânica faz apenas 20. Outro exemplo é que a (máquina) casadeira faz 250 por hora e a mecânica faz 50”, compara o presidente da cooperativa, Robson José Rosa.

Outra medida tomada pela Cooperblue que funciona em um galpão na Rua Maria Rosa Santiago, próxima ao Terminal Rodoviário, foi comunicar os clientes. “Com essa situação atual que enfrentamos, não poderemos atender a demanda e entregar o produtos no prazo, anteriormente, marcado. Estamos conversando com as cooperadas para ver a possibilidade de trabalharmos no final de semana e agilizarmos as entregas”, disse o administrador André Tobias.

A vice-presidente da Cooperblue, Valdirene Marques, adiantou que não haverá demissões. “Todos que trabalham aqui recebem porcentagem por produção e fazem a retirada mensal. O que poderá acontecer é uma diminuição temporária no valor dessa retirada até que a situação volte ? sua normalidade. Não haverá demissões, pois somos todos parte de uma cooperativa. Foi uma correria, mas conseguimos pelo menos amenizar a situação”, colocou a vice-presidente.

No início da tarde desta quinta-feira (7) os diretores da cooperativa estiveram reunidos com o vice-prefeito Antônio Luiz Caldas Júnior (o prefeito João Cury está viajando) para tentar encontrar uma solução. O presidente Robson Rosa também adiantou que irá viajar para São Paulo para conversar com empresários e tentar adquirir máquinas elétricas para suprir as que foram retiradas.

“Já mantivemos contato telefônico e acredito que poderemos chegar a um acordo para a aquisição de algumas máquinas. Na verdade as negociações neste sentido já estavam no nosso cronograma e a gente pretendia comprar as máquinas da massa falida da Botucatu Têxtil que estavam no galpão. Das 160 máquinas da massa falida apenas 51 estavam produzindo. Muitas máquinas pertencem a cooperativa e têm, inclusive, a placa de identificação. Essas não foram levadas porque foram compradas com o dinheiro dos cooperados.

Entretanto, essa decisão judicial, na verdade, pegou a todos nós de surpresa. Agora depois do impacto que sofremos ao presenciar a retirada das máquinas e com a cabeça mais fria, vamos ver o que podermos conseguir em São Paulo”, disse Rosa.

{n}Para entender o caso{/n}

Para cumprir um mandado judicial expedido pelo juiz da 1ª Vara Civil da Comarca de Botucatu, Marcelo Moreira, os oficiais de Justiça Eduardo Macoris e Gerson Tavares estiveram quarta-feira (7) na Cooperativa Cooperblue, para acompanhar a retirada de 160 máquinas de costura que pertence a massa falida da Botucatu Têxtil (antiga Staroup), que fica na Avenida Deputado Dante Delmanto e é administrada pelo Grupo Ruas.

Das 160 máquinas, 51 estavam sendo utilizadas na linha de produção e as outras 109 armazenadas. Atualmente, a Cooperblue, que foi criada em setembro de 1997, fabricava 80 mil peças por mês, ou 2.600 ao dia, sendo que os 250 cooperados, 90% são mulheres. As máquinas removidas deverão ser usadas pela empresa Montijo, de São Paulo, que trabalha com confecção de tecidos e locou toda área da massa falida da Botucatu Têxtil e do Parque Fabril, que fica na Avenida Dante Delmanto.

O advogado Orlando Pampado que defende os interesses da massa falida da Botucatu Têxtil enfatizou que não há nada de anormal nessa decisão judicial, pois as máquinas pertencem aos credores. Ressalta que não existe contrato de locação ou de aluguel das máquinas firmado com a Cooperblue e a remoção das máquinas iria acontecer a qualquer hora.

“Como administrador da massa falida fiz o contrato de locação com a Montijo, que irá administrar toda a área, mediante pagamento de aluguel aos credores. É bom frisar que as máquinas de costura não estão sendo doadas ou vendidas para a empresa, pois todo o patrimônio pertence a massa falida. O que fizemos foi um contrato de locação para utilização de toda área existente e do patrimônio para beneficiar os credores”, explicou Pampado.

O advogado da Cooperblue, Junot de Lara Carvalho não escondeu sua indignação com a retirada das máquinas. “Existe o lado judicial, mas não podemos esquecer o lado social dessa questão. São 250 pessoas que necessitam da cooperativa para dar sustento ? s suas respectivas famílias. É isso que conta nesse momento”, frisou o advogado que irá entrar com recurso para tentar reverter essa decisão

“Uma ação de recurso pode levar mais de dois anos para ser julgada. Como ficarão essas famílias que dependem desse trabalho para complementar a renda familiar, durante todo esse tempo? O que me surpreende é que esse processo levou cerca de 45 dias para ser julgado”, frisou Carvalho. “Tenho 30 anos de advocacia e nunca vi um julgamento tão célere como este”, complementou.