Com máquinas novas, Cooperblue volta ? normalidade

Fotos: Luiz Fernando

“Depois da tempestade, vem a bonança”. Esse ditado popular pode se encaixar perfeitamente na situação passada pela cooperativa Cooperblue, fabricante de peças em jeans, que tem 250 sócios, que fazem retiradas mensais, de acordo com a produção. A cooperativa funciona em um galpão na Rua Maria Rosa Santiago, próxima ao Terminal Rodoviário,
O drama dos cooperados começou dia 07 deste mês quando o juiz da 1ª Vara Civil, Marcelo Moreira expediu um mandado determinando a retirada de 160 máquinas de costura que pertencem a massa falida da Botucatu Têxtil (antiga Staroup), que estavam no galpão da cooperativa. Dessas máquinas 51 estavam sendo usadas na linha de produção e as outras 109, armazenadas.

A solução emergencial encontrada pelos diretores da Cooperblue foi colocar em funcionamento as máquinas mecânicas (manuais) que não estavam mais em uso, para não parar a produção, além do uso de algumas máquinas compradas pelos próprios cooperados. Com isso, a cooperativa passou a trabalhar com apenas 30% de sua produção, comprometendo a demanda de entrega aos fornecedores que foram contatados para que a situação fosse explicada.

O presidente da cooperativa, Robson José Rosa, salientou que desde que as máquinas foram retiradas do galpão, a direção passou fazer vários contatos com empresários do setor têxtil e conseguiu adquirir várias máquinas de última geração, para pagar em prestações mensais, a partir de janeiro.

“Há males que vem para o bem. Há cerca de 15 dias a gente não sabia o que poderia acontecer e agora vemos o problema sendo resolvido da melhor maneira possível e com a cooperativa aumentando seu patrimônio com a compra dessas novas máquinas. Ainda não teremos, por enquanto, condições de manter a mesma produtividade de antes, mas podemos dizer que a solução está contornada e voltamos normalidade”, disse Robson Rosa.

Lembra o presidente que as negociações para comprar as máquinas da massa falida estava no cronograma dos cooperados. “Como aconteceu tudo isso tivemos que correr atrás e solucionar o problema de outra forma, em tempo recorde. Nós só podemos agradecer os empresários que confiaram na Cooperblue e venderam as máquinas para serem pagas em prestações mensais”, finalizou o presidente.

{n}Para entender o caso {/n}

Para cumprir um mandado judicial expedido pelo juiz da 1ª Vara Civil da Comarca de Botucatu, Marcelo Moreira, os oficiais de Justiça Eduardo Macoris e Gerson Tavares estiveram no dia 07 de novembro na Cooperativa Cooperblue, para acompanhar a retirada de 160 máquinas de costura que pertence a massa falida da Botucatu Têxtil (antiga Staroup), que fica na Avenida Deputado Dante Delmanto e é administrada pelo Grupo Ruas.

Das 160 máquinas, 51 estavam sendo utilizadas na linha de produção e as outras 109 armazenadas. Atualmente, a Cooperblue, que foi criada em setembro de 1997, fabricava 80 mil peças por mês, ou 2.600 ao dia, sendo que os 250 cooperados, 90% são mulheres. As máquinas removidas deverão ser usadas pela empresa Montijo, de São Paulo, que trabalha com confecção de tecidos e locou toda área da massa falida da Botucatu Têxtil e do Parque Fabril, que fica na Avenida Dante Delmanto.

O advogado Orlando Pampado que defende os interesses da massa falida da Botucatu Têxtil enfatizou que não há nada de anormal nessa decisão judicial, pois as máquinas pertencem aos credores. Ressalta que não existe contrato de locação ou de aluguel das máquinas firmado com a Cooperblue e a remoção das máquinas iria acontecer a qualquer hora.

“Como administrador da massa falida fiz o contrato de locação com a Montijo, que irá administrar toda a área, mediante pagamento de aluguel aos credores. É bom frisar que as máquinas de costura não estão sendo doadas ou vendidas para a empresa, pois todo o patrimônio pertence a massa falida. O que fizemos foi um contrato de locação para utilização de toda área existente e do patrimônio para beneficiar os credores”, explicou Pampado.