Coletora de papel é exemplo de determinação

Uma mulher que merece o respeito da população de Botucatu é a coletora de papel Nair de Andrade Melo. No apogeu dos seus 72 anos de idade é muito conhecida em Botucatu. Ela, com sua carroça puxada por cavalo, percorre as ruas da cidade coletando materiais recicláveis como papel, lata, vidro, plástico ou alumínio, para vender.

Um serviço nada fácil para uma mulher de sua idade, mas ela não reclama. Diz que se sente jovem e nem pensa parar de trabalhar.

“Sou feliz assim. Gosto do que faço. Pior seria se eu não pudesse trabalhar. Faço essa vida de catadora há muitos anos. Foi assim que criei meus filhos. Tenho sempre contado com a ajuda da população, principalmente, os comerciantes que me fornecem materiais como papelão. É vendendo isso que pago minhas contas”, revela.

A mulher não sabe ao certo como começou a trabalhar na coleta de materiais recicláveis. “Olha já faz muitos anos e eu não lembro como comecei. No início não tinha carroça e tinha que carregar tudo no “muque” mesmo. Com o tempo fiz minhas economias e consegui comprar uma carroça com uma égua. Agora tudo ficou mais fácil”, observa.

Embora não tenha uma vida fácil, já que coletar papel, não lhe dá uma renda que a faça viver com comodidade, Nair Melo, é conhecida pelo ato de caridade que pratica todos os finais de ano, quando realiza um almoço de natal para crianças carentes.

“Tenho satisfação em fazer este almoço e deixar as crianças felizes. O espaço é pequeno e o dinheiro é curto, mas a gente sempre dá um jeitinho. Faço macarrão, arroz e feijão, salada e carne e consigo até refrigerante e sobremesa”, coloca a mulher, lembrando que o almoço acontece no dia 20 de dezembro, a partir das 10 horas.

“Não marco hora certa. Quem chega vai pegando seu prato e comendo. Se quiser repetir não tem problema”, observa Nair, que conta com ajuda de empresários da cidade que ajudam na coleta de alimentos não perecíveis, nos dias que antecedem o almoço.

Questionada sobre o porquê faz este tipo de caridade, ela é direta. “Olha, se todo mundo ajudasse, muitas famílias não passavam fome. É doloroso um pai ou uma mãe não ter o que dar de comer a seus filhos”, ressalta a mulher. “Mesmo sendo pobre, eu faço a minha parte. E não é só na época de natal. Sempre procuro ajudar quem precisa. Infelizmente tem gente que pode e não ajuda. Desta terra a gente não leva nada, não é mesmo?”, complementa.

Foto: Quico Cuter