Cientistas da Unesp discutem envelhecimento da população

Nos dias 25 e 26 de novembro, a Faculdade de Medicina (FM), Câmpus de Botucatu, sediou o 1º Workshop Internacional sobre Envelhecimento. O evento, voltado ao público acadêmico e a profissionais de saúde, é uma iniciativa do Instituto de Estudos Brasil-Europa (IBE), do qual a Unesp faz parte.

Após traçar um histórico sobre a participação da Unesp nas atividades promovidas pelo Instituto, a pró-reitora de Pesquisa, Maria José Soares Mendes Giannini, destacou que essa oportunidade será importante para o processo de internacionalização vivido pela Universidade. “Estamos caminhando para ter uma população envelhecida, por isso nós, cientistas, temos que mostrar para a sociedade de que forma podemos colaborar”, comentou.

O coordenador Geral do IBE na Universidade, professor Nelson Ramos Stradiotto, disse que o IBE tem objetivos bem definidos e ambiciosos. “Esperamos uma participação integral da comunidade unespiana para que alcancemos as metas”, colocou.

{n}Milhões de centenários{/n}

Houve palestras com especialistas nacionais e internacionais de diversas instituições de ensino e pesquisa. A primeira apresentação foi a do professor Paulo José Fortes Villas Boas, da FM, que falou sobre o “crescimento da população idosa no mundo”. O acadêmico disse que o aumento do número de pessoas com mais de 60 anos já é mais intenso do que o das demais faixas etárias.

“Até 2050 espera-se que haja mais de 3 milhões de pessoas com mais de 100 anos de idade no mundo. Elas viverão principalmente no Japão, Estados Unidos e China”, projetou, comentando que as principais causas de morte, em ordem decrescente, serão doenças do coração, câncer e Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Em seguida foi a vez da professora Tânia Ruiz, também da FM. Sua palestra teve como tema a “satisfação com a vida na velhice: vivendo a vida conforme os próprios valores”. A especialista apresentou uma pesquisa desenvolvida de 2000 a 2004 com idosos de duas cidades do interior do Estado de São Paulo – Alambarí e Botucatu. Os resultados mostraram que a maioria estava satisfeita, já que viviam como de fato gostariam.

Encerrando o ciclo da manhã, a professora Maria Lúcia Lebrão, da Faculdade de Saúde Pública da USP escolheu o tema “Epidemiologia do Envelhecimento: Estudo Sabe (Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento)”. A convidada chamou atenção para a necessidade de os estudos, a partir de agora, considerarem a questão da fragilidade e incapacidade funcional dos idosos.

{n}Alzheimer{/n}

No sábado (26), a palestrante Marzia Perluigi, da Universidade de Roma, apresentou seus estudos sobre “Uma visão proteônica redox do cérebro: estresse oxidativo e doença de Alzheimer”. “Esse estresse oxidativo é uma modificação irreversível, que causa a neurodegeneração do cérebro no idoso”, explicou Perluigi durante a palestra.

O professor da USP Julio Cesar Moriguti descreveu os tratamentos terapêuticos e suas perspectivas sobre a doença de Alzheimer. “Alterar o curso dessa doença trará grande impacto na saúde pública, pois gerará economia de recursos e maior qualidade de vida ? população. Ter atividade física regular e uma vida social ativa pode prevenir o Alzheimer”, enfatizou.

{n}Terapias diferenciadas{/n}

Os estudos referentes ao metabolismo da estrutura óssea e ao processo de envelhecimento foram debatidos pela professora da Faculdade de Odontologia da Unesp, Câmpus de Araçatuba. Durante a explanação, a especialista frisou pesquisas realizadas pela unidade em relação ? estrutura óssea nas diversas fases da vida. “Conforme o corpo envelhece, há uma mudança da matriz óssea que se torna mais frágil”, disse. A partir dessa constatação, foi analisado o uso de terapias farmacológicas associadas a atividades físicas em lesões nas estruturas ósseas.

Encerrando o workshop, Erika da Silveira, professora da Universidade Federal de Goiás, sintetizou os avanços na avaliação nutricional do idoso. Conforme ressaltou, o descuido na alimentação é um facilitador no desenvolvimento de problemas crônicos, como a incidência de gordura, diabetes e problemas cardiovasculares.

Para ela, é necessário o desenvolvimento de protocolos específicos nas áreas médicas e nutricionais para esse público. “O idoso ainda é tratado com as mesmas terapias de adultos. Essas pessoas se diferem tanto biologicamente quanto fisiologicamente”, frisou.