Cevap assina contrato para produção da “cola biológica”

Foi assinado na tarde desta quinta-feira, 11 de julho, na Diretoria da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB) o contrato para o desenvolvimento dos projetos executivos complementares para a construção do Laboratório de Produção do Selante de Fibrina do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Unesp. A empresa vencedora do processo licitatório, que ficará responsável por elaborar o projeto, é a Conceito Projetos Integrados de Engenharia, que apresentou o orçamento de R$ 170 mil. O prazo para a entrega é de 90 dias.

Participaram da assinatura do contrato a diretora da FMB, Silvana Artioli Schellini; o vice-coordenador executivo do Cevap, Rui Seabra Ferreira Júnior; o engenheiro Francisco de Assis Moura Júnior, da APLO (Assessoria de Planejamento e Orçamento) da Unesp, que ficará responsável pela obra; e Waldir Nogueira Prado, representante da empresa.

Um projeto piloto de selante de fibrina, espécie de cola biológica foi desenvolvido pelo Cevap, com financiamento de R$ 4,45 milhões do Decit (Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde). O repasse da verba ocorre por meio do CNPq e conta também com R$ 2 milhões repassados pela Unesp, para a elaboração de um teste clínico em fase 2 como parte de um projeto que visa identificar produtos estratégicos de tecnologia nacional para o SUS (Sistema Único de Saúde). O selante foi testado com sucesso na cicatrização de úlceras crônicas e como substituto ou adjuvante de sutura em cirurgias e os resultados foram publicados em diversas revistas científicas internacionais.

O selante de fibrina é um bioproduto 100% nacional, feito a partir da mistura de uma enzima extraída do veneno da cascavel (Crotalus durissus terrificus) com fibrinogênio de sangue de grandes animais (bubalinos, equinos, bovinos ou ovinos), cuja ação se baseia no princípio natural da coagulação.

Um ensaio clínico em fase 1, realizado pela Faculdade de Medicina da Unesp e pela Universidade Sagrado Coração (USC), avaliou o uso da cola biológica em 24 pacientes com úlceras venosas nas pernas. Onze receberam a terapia convencional, conhecida como bota de Unna, que consiste no uso de bandagens impregnadas de óxido de zinco. Os demais, além desse tratamento, receberam antes aplicações da cola de fibrina nas lesões. “A cicatrização foi muito mais rápida e melhor nos indivíduos que receberam o selante”, conta Silvia Regina Barraviera, orientadora desta tese de doutorado.

A equipe prepara-se, agora, para testar o produto em uma escala bem maior que a das pesquisas já feitas. O financiamento do Ministério da Saúde garantiu a verba para a realização de um estudo multicêntrico sobre a aplicação do adesivo biológico no tratamento da úlcera venosa em humanos e, também, para a implantação do laboratório de produção piloto do selante.

A expectativa é que, após a conclusão do estudo, o selante de fibrina receba a aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para uso em humanos, após novos testes do produto que serão feitos na Fiocruz. “A ideia é abastecer a rede do SUS e tornar o Cevap autossustentável financeiramente”, afirma Benedito Barraviera. “Estamos fazendo pesquisa focada e responsável, para ajudar a solucionar problemas nacionais”.