Cempas recebe tamanduás vítimas de atropelamento

Fotos: Valéria Cuter

“O desenvolvimento das monoculturas, o avanço das construções urbanas nas áreas verdes e o aumento das malhas viárias diminuem os habitats naturais dos animais silvestres que acabam invadindo áreas urbanas onde entram em contato com seres humanos. Acabam capturados ou feridos e, muitas vezes, mortos”.

Foi desta maneira que o professor doutor Carlos Teixeira, coordenador do Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Silvestres (Cempas), da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu se expressou ao revelar os dois tamanduás mirins que recebeu esta semana, um deles (fêmea) trazia um filhote de poucos dias de vida agarrado ? s costas. A tamanduá sofreu um traumatismo craniano e corre risco de morte. O outro animal desta mesma espécie teve fratura numa das patas dianteiras e poderá ser reintegrado ? natureza, após ser tratado.

Enfatiza que o Cempas recebe, diariamente, animais silvestres da região de Botucatu e de diferentes cidades de São Paulo e até de outros estados e cada animal tem um custo diário e um atendimento diferente. “Nós tratamos, mas muitos, por terem perdido membros ou patas, não podem mais voltar ao habitat natural. Soltar um animal debilitado na natureza é condená-lo ? morte”, explica Teixeira.

“Mesmo aqueles que ainda estão em condições de viverem em liberdade têm que ser soltos de maneira adequada, pois no reino selvagem existe uma competição muito intensa pela disputa de território e não são raros os casos em que animais são mortos por um rival. Então, o ideal é soltar os animais o mais próximo possível do lugar de onde foram retirados”, orienta o professor da Unesp.

No Cempas estão dezenas de aves e animais resultados de apreensões policiais, vítimas de atropelamentos em estradas e caçadores ou ainda vindos de pessoas que criam os animais e depois resolvem abandoná-los e estes não podem ser soltos por estarem acostumados ao ser humano. São diferentes espécies de primatas (sagüis, macaco-prego e bugios), jacarés, papagaios, tucanos, gavião carijó, maritacas, corujas, seriemas, veado catingueiro, jabotis, lagartos, gambás, guaxinim, tamanduás, entre outros. Um verdadeiro zoológico dentro de um centro de pesquisas científicas.