Cemitérios intensificam trabalho de arquivo eletrônico dos óbitos

A primeira certidão de óbito é de 1893. O primeiro corpo sepultado foi de um bebê com apenas 17 dias de vida, chamado Benecdito Pereira da Silva. O livro, de capa marrom, ainda conserva páginas amareladas e caligrafias quase que indecifráveis. Mas aos poucos, aquilo que é parte da história do Município tem sido salvo, e de forma mais moderna.

Desde maio de 2010, com investimentos da Prefeitura de Botucatu, os cemitérios Portal das Cruzes e Jardim contam com computadores na sua área administrativa. Através deles, todo o acervo de registros de óbitos do Município é digitado e armazenado. Assim, espera-se em breve que toda consulta feita sobre as pessoas que se encontram sepultadas em Botucatu seja agilizada pelo meio eletrônico. Todo o trabalho tem sido feito por estagiários da Prefeitura, que através da Seção de Processamento de Dados também instalou os equipamentos, internet e programas necessários.

“O processo está adiantado, esperamos ainda este ano colocar tudo nos computadores”, informa Décio de Campos, administrador do Portal das Cruzes, que contabiliza 6.400 jazigos e outros 58.171 sepultamentos. “O complicado é decifrar os nomes, porque a caligrafia de antigamente não ajuda muito, e a falta de informações no registro de óbito. Em alguns casos, a pessoa enterrada teve registrada apenas o primeiro nome, e a profissão. É um trabalho de formiguinha, minucioso, mas também de redescoberta, já que temos livros de mais de cem anos”, completa.

No Cemitério Jardim, o número de sepultamentos é menor , cerca de 7.300. Por este motivo, o processo de digitalização dos registros de óbitos está mais avançado. “Já digitamos os nomes e datas de falecimentos. Agora estamos na fase de complementação dos dados, como filiação, idade, naturalidade, entre outras informações”, diz Luiz Antonio De Lego, administrador do Cemitério Jardim.

A ideia, com o tempo, é poder disponibilizar pela internet e em ambos os cemitérios, através de terminais eletrônicos, consultas públicas das pessoas falecidas. Assim, em dias de visitação ao cemitério, por exemplo, familiares e amigos poderão fazer pesquisas rápidas que indicarão o local exato em que a pessoa está sepultada.

“O público poderá ainda ter acesso ? filiação, naturalidade, entre outras informações sobre a pessoa sepultada, informações essas que podem ser utilizadas na construção da árvore genealógica da família e até mesmo para requerer registros de cidadania junto aos consulados”, acrescenta Campos.