Cemitério tem mais de 3.600 animais sepultados

Fotos: Valéria Cuter

Foi com a morte de sua cadela Kelly, em 03 de agosto de 2001, que o empresário, Clóvis Bettus (63), teve a idéia de fundar o Cemitério de Animais de Botucatu, em um terreno instalado no km 01 da Rodovia Antônio Butignolli, Distrito de Rubião Júnior.

Na ocasião, sem opção para dar um final digno ? sua fiel amiga, conversou com sua sobrinha, que na época morava em Londres, onde são comuns os cemitérios de animais e recebeu algumas fotos da França, Inglaterra e Alemanha. Dessa conversa saiu a fundação do cemitério.

A idéia acabou dando resultado e, gradativamente, muitas pessoas passaram a procurá-lo para sepultar seus animais de estimação. Atualmente, o local conta com 3.608 animais de estimação, entre cães (em sua grande maioria), gatos, sagüis, coelhos, papagaio e tartaruga e guarda muitas curiosidades. E eles vêm de diferentes cidades, como Rio de Janeiro, São José dos Campos, Ribeirão Preto, Campinas, Barra Bonita, Avaré, São Manuel, Itatinga, entre muitas outras.

O local tem sala de velório, onde os proprietários podem velar seus animais, antes do sepultamento. Essa sala recebeu o nome de Valéria Cristina, sobrinha do empresário que deu a idéia do cemitério. E nele existem dois tipos de sepultamento. Um se faz na própria terra, sem luxo, mas o outro conta com jazigos, cobertura de mármore, frases de saudade, capelas, fotos, brinquedos e até imagens de santos. Só não se permite acender velas, embora esse pedido seja feito com relativa freqüência.

A pessoa, além do sepultamento pode comprar uma porção de terra e pagar anuidade de R$ 110,00 e tem liberdade de fazer o jazigo da maneira que achar mais conveniente, sem interferência da administração. Agora as que pagam apenas pelo sepultamento comum numa vala na terra (não compram o terreno) os ossos dos animais são removidos depois de três anos e guardados em um ossário (ou ossuário). Se o proprietário quiser pode levar os ossos para casa. Tudo é catalogado e cada animal tem sua ficha própria, mesmo aqueles que já estão no ossário.

As visitas podem ser feitas todos os dias das 8 ? s 18 horas, mas a maior incidência ocorre no Dia de Finados. “Eu moro aqui e estou sempre pronto a atender quem nos procura e contamos também com um funcionário que faz a limpeza no local, prepara os animais para o velório e realiza os sepultamentos. Nessa preparação para o sepultamento a pessoa pode optar em colocar o animal em um caixão de madeira ou enterrá-lo envolto em um pano especial”, conta Bettus.

Lembra que quando lançou a ideia de fundar esse cemitério foi chamado de louco. “Ninguém acreditou que iria dar certo. Hoje tenho convite de diferentes cidades de São Paulo para fundar um cemitério semelhante. Mas, não tenho interesse em sair de Botucatu. Estou muito bem assim vivendo tranquilo em companhia dos meus cachorros, os vivos e os mortos”, disse Bettus.

{n}Curiosidades interessantes{/n}

Não são raros os momentos em que a Cemitério dos Animais se depara com fatos curiosos e pitorescos protagonizados por proprietários que mostram toda a dedicação que sentem pelos animais. “Temos, por exemplo, pessoas que trazem seus cães para o sepultamento e todos os brinquedos com os quais os animais brincavam. Só que esses objetos não podem ser enterrados com os cães e ficam na parte superior externa de cada túmulo.”, conta o coveiro Odair Custódio.

Outra curiosidade é que com relação a uma senhora que pediu para seus familiares que quando morrer quer ser cremada e seus restos mortais (pó) devem ser espalhados no mesmo túmulo do seu cachorro. “São muitos os casos que fogem do trivial do cemitério, mas a gente procura atender a todos o melhor possível”, conta Custódio.

Outro fato inusitado é contado por Clóvis Bettus. “Numa ocasião tivemos que congelar e preparar um cachorro para que toda família pudesse vir a Botucatu prestar a última homenagem. O velório teve duração de 48 horas”, lembra Bettus. “Não são raras as famílias que passam a noite inteira velando um cachorro. Isso mostra o amor que sentem pelos seus animais de estimação e que são considerados membros da família”, complementa.