Catadora de papel faz almoço natalino para crianças carentes

Mais uma vez, a coletora de papel Nair de Andrade Melo, com seus 73 anos de vida, deu um exemplo de solidariedade e amor ao próximo. Ela é vista, cotidianamente, percorrendo as ruas da cidade com sua carroça puxada por cavalo, coletando materiais recicláveis como papel, lata, vidro, plástico ou alumínio, para vender.

Embora não tenha uma vida fácil, já que coletar materiais recicláveis não lhe dá uma renda que a faça viver com comodidade, Nair Melo é conhecida pelo ato de caridade que pratica todos os finais de ano, quando realiza um almoço de natal para crianças carentes. Este ano não foi diferente e ela reuniu em sua casa no Jardim Santa Elisa, cerca de 100 crianças carentes para um almoço.

“Tenho satisfação em fazer este almoço e deixar as crianças felizes. O espaço é pequeno e o dinheiro é curto, mas a gente sempre dá um jeitinho. Este ano fiz macarrão, arroz e feijão, salada e carne e consegui até refrigerante e sobremesa”, colocou a mulher, lembrando que realiza este almoço há mais de 10 anos, sempre no dia 20 de dezembro, a partir das 10 horas.

“Não marco hora certa. Quem chega vai pegando seu prato e comendo. Se quiser repetir não tem problema”, observa Nair, que contou com ajuda de empresários da cidade que contribuíram na coleta de alimentos não perecíveis, nos dias que antecederam o almoço.

Questionada sobre o porquê faz este tipo de caridade, ela é direta. “Olha, se todo mundo ajudasse, muitas famílias não passavam fome. É doloroso um pai ou uma mãe não ter o que dar de comer a seus filhos”, ressalta a mulher. “Mesmo sendo pobre, faço a minha parte. E não é só na época de natal. Sempre procuro ajudar quem precisa. Infelizmente, tem gente que pode e não ajuda. Desta terra a gente não leva nada, não é mesmo?”, complementa.

{n}Vida nada fácil {/n}

O trabalho que esta mulher executa no seu dia ? dia não é pra qualquer um, principalmente, se levarmos em consideração a sua idade, mas ela não reclama. Diz que se sente jovem e nem pensa parar de trabalhar.

“Sou feliz assim. Gosto do que faço. Pior seria se não pudesse trabalhar. Faço essa vida de catadora de papel há muitos anos. Foi assim que criei meus filhos. Tenho sempre contado com a ajuda da população, principalmente, os comerciantes que me fornecem materiais como papelão. É vendendo isso que pago minhas contas”, revela.

A mulher não sabe ao certo como começou a trabalhar na coleta de materiais recicláveis. “Olha já faz muitos anos e não lembro como comecei. No início não tinha carroça e tinha que carregar tudo no “muque” mesmo. Com o tempo fiz minhas economias e consegui comprar uma carroça com uma égua. Agora tudo ficou mais fácil”, observa.

Fotos: David Devidé