Carnaval de Botucatu tem que voltar a ser referência

O carnaval de rua de Botucatu este ano recebeu um bom público pela extensão da Rua Amando de Barros e dá mostras que poderá voltar a ser referência regional, como acontecia nos anos 90, onde havia até arquibancadas para dar maior conforto e visibilidade para o público assistir a performance das escolas de samba.

Sou do tempo em que haviam várias escolas de samba em Botucatu e os desfiles eram de alto nível sendo necessário que saísse da Rua Amando de Barros e fosse para a Avenida Floriano Peixoto onde havia espaço para a arquibancada. E mais: todas as regiões da Cidade tinham representatividade na passarela do samba.

Sem contar os blocos, desfilavam naquela época áurea do carnaval botucatuense escolas como Camisa Preta, do Tanquinho; Dragões da Vila dos Lavradores; Estrela da Serra da Cohab I; Gente Unida da Vila Maria; Camisa Verde e Branco da Vila Cidade Jardim, Acadêmicos de Vila Aparecida, Mocidade Alegre do Lavapés; e Unidos de Última Hora/BTC.

Agora para dar um novo alento ao carnaval o primeiro passo é a haver um perfeito sincronismo entre o Poder Público e os representantes das escolas de samba e a principal atitude a ser tomada é criar uma Associação para discutir e preparar o carnaval de 2015. Só assim o carnaval de Botucatu pode chegar perto do que era.

Não se pode negar que houve avanços este ano, mas muito aquém daquilo que foi e carnaval mais uma vez esbarrou na demora da apresentação de uma escola e outra. Isso cansou o público. Para se ter uma idéia no início dos desfiles havia cerca de oito mil pessoas pela extensão da Rua Amando de Barros. Na apresentação da última escola, havia menos do que a metade.

Por fim, também é necessário buscar um Corpo de Jurados com pessoas que conheçam cada quesito a ser votado e já tenham experiência em carnavais anteriores. O que se viu este ano foi um mesmo jurado dar nota a todos os sete quesitos que estavam em disputa. Isso torna inviável um julgamento técnico coerente. O ideal seria cada jurado se preocupar apenas com um quesito e estudar, minuciosamente, como o julgamento deve ser feito, para apontar falhas ou defeitos antes de se decidir pela nota final.

A escola campeã, “Acadêmicos do Beira Rio”, que fez sua estréia no carnaval deve mesmo comemorar o título, independente das reclamações das escolas Gente Unida da Vila Maria e Estopim da Fiel, que se sentiram prejudicadas em alguns dos sete quesitos, que teriam favorecido a campeã.

Por exemplo, as notas baixas da Estopim no samba enredo e bateria, não foram “digeridas”. Só nesses dois quesitos perdeu quatro pontos, em relação ? escola campeã. Já a Vila Maria, campeã dos três últimos carnavais também reclamou muito das notas, principalmente, nos quesitos mestre sala/porta bandeira, samba enredo e bateria. Ao fim da apuração a Beira Rio obteve 336 pontos, havendo um empate técnico no segundo e terceiros lugares entre Vila Maria e Estopim da Fiel que obtiveram 334 pontos.