Cantora e pianista lança CD no Teatro Municipal

O que Dorival Caymmi tem a ver com Björk? Para a cantora, pianista, compositora e arranjadora Andrea dos Guimarães, muito. Apesar dos diferentes estilos, tanto o bardo baiano quanto a vanguardista islandesa fazem uma música carregada de sentimentos, com um tipo de entrega radical.  Essa entrega é o que importa para Andrea, que está lançando o primeiro CD solo  “Desvelo”  (www.tratore.com.br).

É uma estréia solitária por opção, como ela diz: “Foi a maneira que encontrei de me mostrar como artista solo. Sempre trabalhei com grupos e essa vontade de cantar e me acompanhar apenas ao piano, terminou prevalecendo. Ao integrar o canto e o instrumento, consigo expressar melhor o que quero dizer”. A única participação ‘afetiva’ no álbum é de Alcides Nunes, pai de Andrea, que dividiu os vocais de “Meus Tempos de Criança” (Ataulfo Alves).

Além de gravar músicas dos autores citados, o álbum propõe um cruzamento entre canções de Tião Carreiro, Edu Lobo, Luiz Gonzaga e Chico Buarque, por exemplo. E essa ligação é feita na forma como Andrea arranja e canta. “Desvelo” também significa ‘tirar o véu’, revelar cada música à minha maneira, sem analisar seus valores, sem julgamentos, apenas uma forma cuidadosa de encará-las.

O disco anda na contramão dos tempos atuais. Não há correria, nem alegrias superficiais. É um convite para acessar o interior de cada um, despertar uma expressividade que sempre senti nessas letras”, conclui Andrea, que também reharmonizou as músicas. O disco foi produzido através do sistema de financiamento coletivo, do site “Catarse”.

Gravado ao vivo no estúdio, com Andrea tocando e cantando ao mesmo tempo, cada música tem uma história para estar ali, como se a intérprete a contasse: “Retrato em Preto e Branco” é um arranjo que iniciei em 1998, durante uma aula de piano. Toda melodia que canto está dividida ritmicamente sobre o piano, não me possibilitando muita liberdade para interpretar e provocando, portanto, uma relação mais intensa com a canção.  Asa Branca tem abertura com a música Seis Horas da Tarde (Milton Nascimento), que teoricamente anuncia o começo da noite,  mas sempre me remeteu a algo que se inicia, por isso achei que ficaria bem como introdução.

Essa mesma faixa é recortada com versos de “Borandá” (Edu Lobo), que também fala da seca. “Coccom” (Björk/Knak), que eu traduzi para “Casulo”  soa como um antônimo ao nome do disco e está no final justamente por isso: depois que me revelei, me fecho novamente. É um arranjo mais simples, com repetições de acordes e cantado sem letra  para enfatizar a expressividade e fragilidade da melodia.”

 Andrea nasceu em Tupaciguara (Minas Gerais) e  está radicada no estado de São Paulo desde 1997. Iniciou os estudos de piano clássico ainda criança, com sua mãe Vera Lúcia dos Guimarães Alvim e Nunes, que é professora. Tem Mestrado em Música pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Há 13 anos integra o grupo Conversa Ribeira, ao lado de Daniel Muller (piano e acordeon) e João Paulo Amaral (viola caipira), com o qual tem dois discos gravados e representou o Brasil em festivais no México e Portugal. Foi também componente do Garimpo Quarteto (de 2007 a 2013), grupo de música instrumental com voz, com o qual também tem um CD.

É professora de música do Conservatório Musical Dr. Carlos de Campos (Tatuí/SP), da Escola de Música do Estado de São Paulo – EMESP Tom Jobim (S. Paulo), da Faculdade Souza Lima (S. Paulo) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).