CAMIM e GCM realizam operação para tirar pessoas das ruas

Fotos: Valéria Cuter

Com a chegada do inverno e devido a vulnerabilidade de alguns moradores em situação de rua, o Serviço Social da Prefeitura Municipal, realizou uma operação visando o encaminhamento destas pessoas até o CAMIM (Centro de Apoio ao Migrante Itinerante Municipal). Foram encaminhados 19 pessoas em situação de rua para o CAMIM, proveniente de 08 locais distintos: matagal próximo ao Rio Tanquinho (06), Estacionamento da Rua Visconde do Rio Branco (02), Praça Rubião Junior (03), alça de acesso a Marechal Rondon, próximo a Renato Pneus (02), Marquise de uma lanchonete próximo ao hospital do bairro (3), Marquise do Hospital Sorocabana (1), Ponte da Rodovia Antonio Butignoli (01) e Avenida Paula Vieira (1).

Segundo a assistente social e diretora do projeto CAMIM, Irani Branco Lourenço estas operações vão ser intensificadas neste inverno, visando o encaminhamento destas pessoas em situação de rua para cadastramento e mapeamento das áreas mais problemáticas da cidade. Participaram desta operação, além da própria diretora do CAMIM, o inspetor da GCM, também os funcionários do Serviço Social Neide, Luiz Carlos e Paulo e ainda os guardas Celso, Prado, Pichinin, Adeilson, Barcaça e Antunes.

“Muitas dessas pessoas trazem os mais variados problemas e visitam a cidade para serem atendidas no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), pela UNESP, ou mesmo procurando parentes. Como não têm recursos são assistidas por um ou dois dias e depois vão embora, mas várias acabam ficando pelas ruas”, disse a diretora.

Inspetor Pimentel que esteve no comando dos guardas disse ser importante esta abordagem no tocante ? prevenção. “Além do apoio que damos aos técnicos do serviço CAMIM, também atendemos solicitações de denúncias, sendo que na maioria das vezes são pessoas com antecedentes criminais”, explica.

Irani Branco salienta que, em média diária, 20 pessoas são atendidas pelo CAMIM (antigo Albergue Noturno), que funciona na Avenida Paula Vieira, região da Vila Ema em um prédio, circundado por um amplo terreno onde ficam pessoas de diferentes faixas etárias, exceto menores de 18 anos, a não ser que estejam com os pais. Já para os que passam de 60 anos é procurado uma vaga no asilo. Com isso, a entidade tem uma faixa etária flutuante que varia de 18 a 59 anos de idade.

Segundo ela, é bastante comum essas pessoas saírem dos seus estados de origem em busca de uma vida melhor em São Paulo e acabam se espalhando pelo interior, chegando até Botucatu. “O problema é que a maioria não tem qualificação, não consegue emprego e passa a morar na rua. No CAMIM recebem atendimento, são alimentados e tomam banho. Alguns ficam algumas horas enquanto outros passam dias, até que retornem para suas cidades ou estados de origem”, comenta a assistente social. “Cada pessoa que passa por aqui tem uma história de vida diferente. Por isso, cada caso é tratado isoladamente”, emenda.

Porém, o contingente maior de atendimento está nas pessoas sob dependência de drogas, principalmente o crack, que é um derivado da cocaína. Outro problema enfrentado pelos funcionários é que não são raras as vezes em que pessoas procuradas pela Justiça procuram o CAMIM. “Em razão disso temos essa parceria com a Guarda Municipal que sempre está pronta para nos atender. São eles que fazem o rastreamento das pessoas e as que tiverem pendências com a Justiça são detidas”, explica.

Com 14 funcionários prestando serviço no local, Iraci adianta que seu principal problema não é financeiro, mas sim a falta de uma parceria mais próxima com área de Saúde. “O caso de pessoas dependentes de crack, por exemplo, é um grave problema de Saúde, que afeta o Brasil. Este é o nosso principal problema e a resolução não depende de nós”, explana a coordenadora. “Muitas vezes temos que esperar semanas e até meses para conseguir uma internação”, complementa.