Camim é a solução para muitas pessoas

Fotos: Valéria Cuter

Média de 16 pessoas flutuantes por dia entre homens (11) e mulheres (5). Este é o percentual de pessoas atendidas pelo Centro de Atendimento ao Migrante Itinerante e Mendicância (Camim), que por muito tempo funcionou no antigo prédio Albergue Noturno de Botucatu, na Avenida Paula Vieira, região da Vila Ema, que foi desativado em razão de infiltração de água e os atendimentos estão sendo feitos em um imóvel na Rua Capitão Tito, região do Terminal Rodoviário. Na mesma área do prédio desativado será construída uma nova unidade.

De acordo com a secretária de Assistência Social Amélia Maria Sibar, o projeto para o prédio já está pronto para que seja iniciado o processo de licitação. “Em razão de o prédio estar muito próximo ao rio e haver o desassoreamento da margem por causa das chuvas, uma reforma se tornou inviável e a opção foi pela construção de prédio novo em local mais adequado e mais próximo da rua”, explicou a secretária.

Sibar cita que são atendidas na unidade pessoas de diferentes faixas etárias. Só não aloja as com menos de 18 anos, a não ser que estejam com os pais. Para os que passam de 60 anos é procurado uma vaga no asilo. “Com isso, a entidade tem uma faixa etária variável tirando aquele pensamento de que só as pessoas idosas que vivem na rua buscam o Camim”, disse.

Segundo a assistente social Irani Lourenço Branco, diretora da entidade que agrega 14 funcionários, pessoas de diferentes regiões do País são atendidas e trazem os mais variados problemas. Como não têm recursos são assistidas por alguns dias e vão embora. São oferecidas quatro refeições por dia e conforme o caso, recebem passagens para que cheguem aos locais de origem.

Porém, o contingente maior de atendimento está nas pessoas sob dependência de substâncias psicoativas (álcool e, principalmente, o crack). Outro problema enfrentado pelos funcionários é que não são raras ? s vezes em que pessoas procuradas pela Justiça procuram a entidade “Em razão disso temos uma parceria com a Guarda Civil Municipal (GCM) que sempre está pronta para nos atender. São eles que fazem o rastreamento das pessoas”, lembra Irani.

Também constam casos de pessoas que saem dos seus estados em busca de uma vida melhor em São Paulo e acabam se espalhando pelo interior, chegando até Botucatu. “O problema é que a maioria não tem qualificação, não consegue emprego, passa a morar na rua e busca ajuda. Aqui recebem atendimento, são alimentados e tomam banho. Alguns ficam algumas horas enquanto outros passam dias, até que retornem para suas cidades ou estados de origem”, comenta a assistente social. “Cada pessoa que passa por aqui tem uma história de vida diferente. Por isso, cada caso é tratado isoladamente”, emenda.

{n}Nas praças{/n}

As praças acabam sendo o ponto de encontro dessas pessoas que são chamadas de “andantes”, principalmente a Emílio Pedutti (Bosque), Coronel Moura (Paratodos) e as das igrejas Coração de Jesus, na Vila dos Lavradores, Menino Deus, no Bairro Alto e Santa Terezinha no Lavapés. Segundo a também assistente social Neide Aparecida Zonta, o andarilho consegue dinheiro pedindo esmola na rua. Tudo que consegue é para suprir sua dependência e fica perambulando de praça em praça.

“A maioria dessas pessoas que permanecem em praças da Cidade têm família em Botucatu. Por isso, nosso trabalho consiste em buscar fortalecer os vínculos familiares, mas na grande maioria das vezes acabam retornando e são levados ao Camim, mas não podemos manter ninguém na entidade contra a vontade. Eles se alimentam e, em alguns casos, pernoitam”, conta. “Só mesmo aqueles que chegam de fora, ficam alguns dias antes de retornarem ? s suas cidades de origem”, complementa.

{n}Trabalho elogiado{/n}

Para o paranaense Vicente Fonseca (65), que se comunica muito bem, o Camim é seu refúgio. “Por opção minha moro e durmo na rua, mas quando a coisa aperta procuro o pessoal do Camim que sempre me recebe muito bem e tenho por eles muita gratidão”, disse. Na mesma linha Ailton Golveia, 39 anos, diz que nunca lhe faltou amparo da entidade. “Só quem precisa sabe o que esse pessoal faz pela gente. Não tem hora nem dia. A gente é que ? s vezes não reconhece”, coloca.

Bastante conhecida no Camim, Elisabete Francisca Inocêncio, de 35 anos, diz que não irá mais morar na rua. “Casei e quero viver outra vida, mas nunca vou esquecer o que essa a gente (do Camim) fez por mim”, comentou Elisabete. Já Jairo Guilherme de Souza, que não se lembra de sua idade, fez questão de “plantar bananeira” para mostrar sua forma física. “O “veinho” aqui ainda dá seus pulos. Tem jovem por ai que não faz o que eu faço”, gaba-se. Ele tem 54 anos.