Camim é a busca de solução para milhares de pessoas

20 pessoas por dia. Esta é a média de atendimento feito pelo Centro de Atendimento ao Migrante Itinerante e Mendicância (Camim), antigo Albergue Noturno de Botucatu, que funciona na Avenida Paula Vieira, região da Vila Ema em um prédio, circundado por um terreno onde as pessoas vivem em contato com a natureza. Uma horta com diferentes espécies de legumes e verduras, que são consumidas no local, é cuidada por José Marcelino dos Santos, há 15 anos. O Centro tem na coordenação a assistente social Irani Branco Lourenço, que está no projeto há 17 anos.

São atendidas pessoas de diferentes faixas etárias. Só não aloja as com menos de 18 anos, a não ser que estejam com os pais. Para os que passam de 60 anos é procurado uma vaga no asilo. Com isso, a entidade tem uma faixa etária flutuante que varia de 18 a 59 anos de idade, tirando aquele pensamento de que só as pessoas que vivem na rua buscam o Camim.

Segundo Iraci Lourenço, pessoas diferentes regiões do País são atendidas. São pessoas que trazem os mais variados problemas e visitam a cidade para serem atendidas no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), pela Unesp, ou mesmo procurando parentes. Como não têm recursos são assistidas por um ou dois dias e depois vão embora. E, conforme o caso são fornecidas passagens para que cheguem aos locais de origem.

Porém, o contingente maior de atendimento está nas pessoas sob dependência de drogas, principalmente o crack, que é um derivado da cocaína. “Atendemos um número considerável de pessoas com dependência química. Um percentual de 80% das pessoas que procuram o Camim são dependentes químicos ou alcoólatras. “Atualmente, o crack é o flagelo do País e superou o álcool e na nossa entidade não é diferente”, disse Iraci.

Outro problema enfrentado pelos funcionários é que não são raras as vezes em que pessoas procuradas pela Justiça procuram o Camim. “Em razão disso temos uma parceria com a Guarda Civil Municipal (GCM) que sempre está pronta para nos atender. São eles que fazem o rastreamento das pessoas. A maior incidência deste ano aconteceu no mês de janeiro quando oito pessoas procuradas estiveram no Camim e foram detidas pela GCM”, lembra Irani.

Também constam casos de pessoas que saem dos seus estados em busca de uma vida melhor em São Paulo e acabam se espalhando pelo interior, chegando até Botucatu. “O problema é que a maioria não tem qualificação, não conseguem emprego, passam a morar na rua e buscam ajuda. Aqui recebem atendimento, são alimentados e tomam banho. Alguns ficam algumas horas enquanto outros passam dias, até que retornem para suas cidades ou estados de origem”, comenta a assistente social. “Cada pessoa que passa por aqui tem uma história de vida diferente. Por isso, cada caso é tratado isoladamente”, emenda.

Nos últimos três meses passaram pelo Camim 1.620 pessoas (557 em maio; 495 em junho e 568 em junho), média de 540 pessoas, cada qual trazendo um problema diferente. Dessa média, pelo menos 27% vão embora e acabam retornando. Este ano, a maior procura foi no mês de janeiro, com 801 pessoas passando pela entidade.

E os números não param. Se fizermos uma projeção anual de janeiro de 2009 a janeiro de 2010 poderemos ter uma noção do trabalho que é desenvolvido nessa entidade. Foram atendidas 7.670 pessoas que consumiram 38.792 refeições. Também foram distribuídas 2.812 passagens para diferentes regiões do Brasil, assim como realizados 2.050 retornos de pessoas aos seus familiares, fazendo com que houvesse 1.797 ligações interurbanas.

Com 14 funcionários prestando serviço no local, Iraci adianta que seu principal problema não é financeiro, mas sim a falta de uma parceria mais próxima com área de Saúde. “O caso de pessoas dependentes de crack, por exemplo, é um grave problema de Saúde, que afeta o Brasil. Este é o nosso principal problema e a resolução não depende de nós”, explana a coordenadora. “Muitas vezes temos que esperar semanas e até meses para conseguir uma internação”, complementa Irani Lourenço.

Fotos: Valéria Cuter