Caio Induscar diz que crise no setor provocou demissões

A economia de nosso país passa por um período difícil, refletindo-se em todos os níveis do mercado, como na indústria automotiva, principalmente no segmento de ônibus. Cerca de 20% da produção de ônibus praticamente desaparece pelos próximos dois anos, impactada pela paralisação do Programa Caminho da Escola, que é 100% dependente de recursos do Governo Federal.

Além disso, há uma queda em torno de 20% do restante do mercado de ônibus, em 2015 (empresas operadoras, permissionárias de transportes urbanos, rodoviários, micros, fretamento), que enfrenta dificuldades de crédito, receio de novos investimentos, defasagens tarifárias etc. Com este cenário, a fabricante de ônibus Caio Induscar, desde janeiro deste ano, tem colocado em prática ações para evitar e/ou postergar demissões, consideradas como último recurso.

O diretor da empresa, Maurício Lourenço da Cunha, afirma que os mecanismos de amortecimento não foram suficientes, pois o mercado de ônibus no Brasil sofreu uma queda substancial em relação aos anos anteriores. “Temos feito dezenas de projeções, que se frustraram. Tínhamos expectativas, por isso aconteceu uma sequencia de férias coletivas em períodos diferentes, pontes de feriados, emenda dos dias de Carnaval, na tentativa de atravessar esse momento, acreditando que essa crise ficaria mais suave a partir do mês de abril, o que não aconteceu, pois o mercado não está respondendo”.

Diante disso, a empresa adequa-se ao tamanho do mercado, ajustando o quadro de colaboradores e investimentos. “Continuamos a empregar mais de 3 mil colaboradores. Todos os esforços estão sendo feitos para que a empresa mantenha-se saudável e em condições de recuperação. Nós acreditamos que esse período difícil vai passar. Em algum momento nós vamos retomar nosso caminho de crescimento e geração de novos empregos, e a equipe de pessoas demitidas terá prioridade nos momentos de recontratação”, conclui o diretor da Caio Induscar.

 

Demissões

No último  dia 14 de maio o jornal Acontece publicou uma matéria feita com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Botucatu,  Miguel Ferreira da Silva que adiantou que desde janeiro 760 funcionários já haviam sido demitidos na metalurgia. Desses, 380 eram da Caio. “Estamos fazendo cerca de 50 rescisões contratuais todos os dias e as empresas continuam demitindo”, disse o sindicalista, na ocasião, prevendo que a classe poderia fechar o primeiro semestre próximo de mil demissões.

“Estamos preocupados com as demissões e não podemos culpar as empresas que tiveram uma queda significativa na produção. Nossa expectativa é que o mercado produtivo volte ao normal para que as demissões sejam contidas”, concluiu.