Botucatuenses participam da instituição do “Dia da Música Raiz”

Botucatuenses marcaram presença na sessão solene realizada esta semana na Câmara Municipal de São Paulo para acompanhar aprovação do Projeto de Lei nº 15.145, de autoria do vereador Eliseu Gabriel, que institui o Dia da Música Raiz. Na sessão vários artistas receberam homenagens.

Na oportunidade, o cantor botucatuense Ramiro Vieira de Andrade (o Ramiro Viola que faz dupla com Pardini), colheu vários autógrafos para o “casal” de viola e violão que será, oportunamente, leiloado para angariar verbas para ajudar a construção do Hospital do Câncer, em Botucatu.

Nesses instrumentos que serão, oportunamente, leiloados já constam nomes como Daniel, Sergio Reis, Chitãozinho e Xororó, Leonardo, Inezita Barroso, governador Geraldo Alckmin, entre muitos outros. “Estamos aproveitando todas as oportunidades e pedindo aos artistas que assinem os instrumentos. O montante de tudo que for arrecadado no leilão será, totalmente, revertido ao nosso Hospital do Câncer. É uma maneira que encontramos de prestar nossa colaboração através da música sertaneja”, comentou Ramiro Viola.

O cantor botucatuense também falou sobre o projeto aprovado na Câmara, que enaltece a música raiz. “O Dia da Música Raiz nos convida para uma reflexão sobre a necessidade de preservarmos nossa cultura regional. É importante mantermos nossas raízes culturais, expressão de construção humana”, pregou Ramiro.

Estiveram presentes nessa sessão solene, artistas como Inezita Barroso; Cacique & Pajé; Liu & Léo, o trio Zé Fortuna, Pitangueira & Zé do Fole; Pininha & Verinha; Nalva Aguiar, Muniz Teixeira & Joãozinho; Tinoco (que fez dupla com Tonico por mais de 50 anos); o radialista Tony Gomide, Pardinho Filho; Orquestra Sinfônica de São Paulo, entre outros.

{n}Música Raiz{/n}

A música sertaneja raiz ou caipira é um gênero musical do Brasil produzido a partir da década de 1920, por compositores rurais e urbanos, outrora chamada genericamente de modas, toadas, cateretês, chulas, emboladas e batuques, cujo som da viola é predominante.

Inicialmente, tal estilo de música foi propagado por uma série de duplas, com a utilização de violas e dueto vocal. Esta tradição segue até os dias atuais, tendo a dupla geralmente caracterizada por cantores com voz tenor (mais aguda), nasal e uso acentuado de um falsete típico. Enquanto o estilo vocal manteve-se relativamente estável ao longo das décadas, o ritmo, a instrumentação e o contorno melódico incorporaram aos poucos elementos de gêneros disseminados pela indústria cultural.

Destacaram-se, inicialmente, entre as duplas pioneiras nas gravações em disco, Zico Dias & Ferrinho, Laureano & Soares, Mandi & Sorocabinha e Mariano & Caçula. Foram as primeiras duplas a cantar principalmente as chamadas modas de viola, de temática principalmente ligada ? realidade cotidiana.

Gradualmente, as modificações melódicas e temáticas (do rural para o urbano) e a adição de novos instrumentos musicais consolidaram, na década de 1980, um novo estilo moderno da música sertaneja, chamado hoje de “sertanejo romântico” – primeiro gênero de massa produzido e consumido no Brasil, sem o caráter geralmente épico ou satírico-moralista e menos frequentemente, lírico do “sertaneja de raiz”.

{n}Fotos: David Devidé

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