Botucatuense é especialista em migração de caranguejos

Fotos: Divulgação

 

Depois de realizar um trabalho semelhante em Bertioga o professor e biólogo Marcelo Pinheiro, especialista em caranguejo da espécie uçá desde 1998, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Botucatu e do Câmpus do Litoral Paulista da Unesp, em São Vicente,  participou do Quadro Detetive Virtual, do Programa Fantástico da TV Globo. Foi abordada a migração reprodutiva do caranguejo-vermelho (Gecarcoidea natalis), na Ilha Christmas, no Oceano Índico, na Austrália.

Todos os anos milhões de crustáceos transformam ruas de Ilha Christmas em tapetes vermelhos. Esses animais, segundo o Parque Nacional da Ilha Christmas, migram todos os anos das florestas para o mar, para a reprodução e desova.

O fenômeno da Ilha Christmas foi semelhantes ao de Bertioga onde Pinheiro esteve acompanhando de perto o fenômeno.  Explicou que entre os meses de dezembro e março, essa espécie de caranguejo realiza a “andada”, quando os machos circulam pelo manguezal a procura da fêmea para procriação.

“Juntando a isso, ocorreu ao mesmo tempo uma grande quantidade de chuvas, o que diminuiu a salinidade da água do mangue, obrigando os caranguejos a buscar um local com equilíbrio entre água salgada e doce, e além desses dois fatores, o ritmo lunar também interferiu. Entre as luas nova e cheia ocorre a andada. Todos esses fatores favorecem esse fenômeno que é raro, porém natural”,  explicou o biólogo botucatuense.

Pinheiro recolheu alguns animais para análise da biometria, estágio de muda e também da veia gonodal (vaso sanguíneo que carrega sangue a partir da gônada – testículo, ovário – em direção ao coração).

O biólogo de Botucatu afirma que não existe qualquer problema no contato humano com estes animais, que não causam doenças, mas apenas o possível incômodo quando têm suas casas “invadidas”. Apenas causam desconforto se suas fortes pinças se fecharem sobre a pele ou dedo de qualquer pessoa.

 

A migração

A migração massiva de exemplares é um fenômeno  que ocorre anualmente para sua reprodução. Se inicia quando três fatores ocorrem juntos: elevação da temperatura (desenvolvimento das gônadas – óvulos e espermatozoides);   triplicação da quantidade de chuvas (evitando a dessecação); e marés mais altas (nas luas nova e cheia). Portanto, o relógio biológico deste animal aguarda a ocorrência destes três fatores, informando a ele que é o momento de migrarem.

Os caranguejos adultos saem de suas tocas na floresta, chegando a percorrer 8 km em 7 dias, rumo as praias, onde ocorre a formação dos casais e a cópula. Neste trajeto, os caranguejos caminham pela floresta, atravessam estradas e entram nas cidades que estão em seu trajeto.

Os machos chegam à praia antes das fêmeas, onde escavam sua toca e atraem a fêmea escolhida, que é então copulada. Logo após, os machos retornam para a floresta e as fêmeas permanecem na toca por mais duas semanas (incubação dos ovos).

No momento da eclosão, as fêmeas sobem em rochas próximas do mar, para onde arremessam seus ovos, que necessitam de água de maior salinidade para eclodirem. Dos ovos saem larvas, que se alimentam do plâncton marinho (microalgas e pequenos animais) e se transformam em jovens caranguejinhos, entre 3 a 4 semanas. Em seguida, estes jovens saem do mar e retornam para as florestas.