Botucatu poderá contar com hospital para animais silvestres

O prefeito João Cury Neto, em reunião em São Paulo, com o secretário estadual da Justiça e da Defesa da Cidadania, Ricardo Dias Leme, avançou nas tratativas para que a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp seja contemplada com recursos para a criação de um hospital veterinário voltado a animais silvestres.

Os recursos virão do FID – Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos – gerido pela Secretaria Estadual da Justiça e da Defesa da Cidadania e destina-se ao ressarcimento, ? coletividade, dos danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, no âmbito do território do Estado de São Paulo.

O projeto desse hospital na Fazenda Lageado, conduzido pelo Professor Carlos Teixeira, com anuência do diretor da FMVZ, Professor/Doutor Luiz Carlos Vulcano, contempla ainda a criação do primeiro Parazoológico do Brasil, onde animais que não tivessem condição de serem reintroduzidos em seu habitat natural seriam utilizados em ações de educação ambiental.

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“A universidade já disponibilizou um milhão e novecentos mil reais para esse projeto e através do Fundo (FID), estamos tentando obter mais dois milhões de reais. O processo caminha muito bem e estamos muito otimistas quanto ao seu desfecho. A proposta é inovadora e ainda inédita no país”, ressalta o prefeito.

O mentor do projeto desse hospital, professor veterinário Carlos Teixeira é o responsável pelo CEMPAS – Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Silvestres, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu, que cuida de diferentes espécies de animais silvestres. É nesse Centro de Atendimento que são trazidos aves e animais resultados de apreensões feitas pela Polícia Ambiental ou vítimas de atropelamentos em estradas ou ainda vindos de pessoas que criam os animais e depois resolvem abandoná-los.

Hoje no CEMPAS são mantidos em cativeiro diferentes espécies de primatas (sagüis, macaco-prego e bugios), jacarés, papagaios, gavião carijó, maritacas, corujas, seriema, lobo-guará, jibóias, jabutis, lagartos, gambá, tamanduá bandeira, javalis, entre outros. Um verdadeiro zoológico dentro de um centro de pesquisas científicas. Todos esses animais silvestres passariam a ser atendidos em um novo local, mais adequado, nesse hospital veterinário na Fazenda Lageado, mas Teixeira prefere não comemorar.

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“Sei que tudo está muito bem encaminhado e conversei com o prefeito sobre isso, mas somente quando a aprovação desse projeto estiver contida no Diário Oficial do Estado (DOE) é que poderemos comemorar. Nossa expectativa é que essa resposta seja dada até o dia 30 deste mês de outubro”, ressaltou Teixeira. “Depois de aprovado teremos que fazer o hospital em 21 meses”, acrescentou o especialista da Unesp.

Ele ressalta que muitos animais mantidos no CEMPAS são condenados a soltura, pois estão muito humanizados, ou seja, não conseguem viver sem a presença do homem e se retornarem ao habitat natural, seguramente, não sobreviveriam. Por isso são tratados e alguns deles são transferidos para zoológicos ou criadouros conservacionistas, outros permanecem no local para serem pesquisados e são base para teses e doutorados. Porém, essas pesquisas não envolvem a eutanásia (morte do animal).

Já os animais que foram retirados de seu habitat natural e tiveram pouco convívio com o ser humano são tratados, recuperados e soltos. Porém, ele alerta que não é aconselhável soltar animais, indiscriminadamente, na natureza. “Mesmo aqueles que ainda estão em condições de viverem em liberdade na natureza têm que ser soltos de maneira adequada, pois no reino selvagem existe uma competição muito intensa pela disputa de território e não são raros os casos em que animais são mortos por um rival. Então, o ideal é soltar o animal o mais próximo possível do lugar de onde foi retirado”, orienta o professor da Unesp.

Para quem tem animais ou aves silvestres em cativeiro não legalizados e quer se desfazer deles, o professor da Unesp sugere que procure a Polícia Ambiental. “A pessoa pode procurar a Ambiental e revelar que tem um animal ou uma ave em cativeiro e quer devolver. Se a pessoa preferir pode trazer até a Unesp, que nós recebemos e depois comunicamos ? Ambiental. Em hipótese nenhuma pessoa deve soltar um animal que está há muito tempo no cativeiro, pois sua morte seria certa”, concluiu Teixeira.

Fotos: Valéria Cuter