Botucatu perde seu filho Jairo Pires de Campos

A Cidade de Botucatu perdeu um dos seus filhos mais ilustres: Jairo Pires de Campos, com seus 91 anos de idade. Servidor público aposentado e escritor ele juntou um verdadeiro tesouro cultural e histórico de Botucatu, além uma coleção de centenas de objetos e plantas de edificações de diferentes épocas, além de milhares de fotos. O número de peças é tanto que ocupa três cômodos de sua casa armazenados em mesas e prateleiras.

Em entrevista ao Acontece, já debilitado, Jaime Pires revelou que guardava isso com muito carinho, pois grande parte dos objetos pertencem a gerações passadas da família e da cidade de Botucatu. “É uma satisfação pessoal manter tudo isso”, disse salientando que entre as peças de sua preferência está um veículo Gordini, ano 1965. “Ele não é tão velho, mas é muito bonito e funciona muito bem”, garante. “Só não permito que ninguém use”, emenda.

No Museu do Jairo, encontram-se relógios de vários tamanhos, aparelhos telefônicos, máquinas de datilografia, peças da ferrovia, entre tantos outros objetos antigos. Conta que além de colecionador, tinha o hobby da fotografia. “Hoje em dia não posso mais fazer isso, mas tenho mais de mil fotos armazenadas, todas em álbuns, muitas delas da antiga Estrada de Ferro Sorocabana (EFS). Tomei gosto pela fotografia e comecei fazendo a imagem de um prédio de três andares que estava sendo construído na Cidade e era novidade na época. Depois não parei mais e passei a sair com a máquina”, lembra.

Ele diz que a maioria dos objetos do seu acervo foi comprada. “Sempre que via uma peça interessante procurava comprar. Muitas vezes o proprietário nem sabia que tinha valor histórico e elas ficavam jogadas em quintais. Foi assim que consegui aumentar esse acervo e não vendo, não troco e não empresto nenhuma peça. Nada sai daqui”, coloca Campos salientando que não pretende abrir o acervo para visitação pública.

“Este é um museu particular e não pretendo abrir para visitação pública, pois demandaria um cuidado especial com os objetos, pois muitos podem quebrar. Sei que muitos (objetos) têm valor histórico e retratam o passado da Cidade, mas prefiro continuar assim do jeito que está. Sei onde está cada peça e cada uma tem o seu valor sentimental”, finalizou.

 

Um pouco de sua história

 

Jairo fez sua carreira como funcionário dos Correios e Telégrafos, trabalhando na DRCT de Botucatu, depois na agência de Bauru e transferindo-se para Santos, onde aposentou-se administrando a agência do "Gonzaga". Sempre muito detalhista, gostava de anotar as conversas que mantinha com amigos. Quando conhecia um amigo novo, fazia uma pequena ficha com a data e hora que o conhecera, além de anotar o tema da conversa.

Tomou gosto pela história, desde menino. Já aposentado e com idade avançada, começou a escrever e dotou o bairro Vila Cidade Jardim de uma história de sua formação, publicada por ele mesmo. Gostava de fazer croqui dos prédios históricos que o agradavam. Desceu aos detalhes dos prédios das fazendas Monte Selvagem, Lageado, Conde de Serra Negra, Moinho do Chicuta (na água do Lavapés); e dos terreiros de sua infância passada nas fazendas do entorno de São Manoel, Igaraçu, Barra Bonita, onde seu pai fora administrador.

Depois de aposentado e ao longo de 20 anos formou um bem montado museu particular, onde dava especial interesse à organização documental, bem dividida em pastas por tema. Colaborou ativamente com Maria Anna Moscogliato na edição do livro Na Velha DRCT de Botucatu. Mas não desistiu de escrever uma história de suas observações sobre o dia a dia da diretoria de Botucatu. Este livro não chegou a ser publicado.

Era preciso, detalhista, observador, alegre e afável no tratamento com os amigos. Manteve por longo tempo intensa atividade social militando na Associação de Moradores da Vila Cidade Jardim e Santa Catarina na UNASABs (União das Associações de Amigos dos Bairros de Botucatu) e no Conselho Diretor do Orçamento Participativo.