Botucatu atinge a 1.500 demissões na metalurgia

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O Sindicato dos Metalúrgicos de Botucatu está preocupado com  incidência de demissões que já ocorreram este ano, sem que haja perspectivas de melhoras.  Foram 1.500 rescisões nesse primeiro semestre, sem contar com as outras cidades da região atendidas pelo sindicato. Também não está computada nessa estatística os trabalhadores demitidos com menos de um ano de trabalho, já que o sindicato só faz as rescisões a partir de um ano de contrato.

“A situação não é das melhores e isso não é um problema só da nossa região. Em outras regiões a situação é muito mais grave e o desemprego atinge estágios alarmantes. E não dá para ver uma luz no fim do túnel, ou seja, não há perspectivas de melhora para este ano. Na nossa região as empresas do setor estão em estado de vigilância e algumas estão buscando alternativas, como redução de jornada de trabalho, para  evitar  demissões em massa”, colocou o  sindicalista,  José Carlos Lourenção.

Ele destaca que embora as empresas como a Embraer, Caio/Induscar, Irizar,  entre outras, estejam buscando alternativas para encontrar alternativas,  as demissões continuam acontecendo, também em empresas da região que são atendidas pelo sindicato. Cita o caso da Soletrol de São Manuel que, recentemente, demitiu 80 funcionários.

“A empresa tinha cerca de 200 funcionários e fez um corte de 40%.  Não porque a empresa quis demitir, mas sim por não ter demanda de produção para  manter esse quadro.  É triste, mas esta é a realidade atual”,  diz Lourenção. “Em outras empresas da região também estão ocorrendo demissões, por conta dessa crise que atinge todo país”, acrescenta.     

O sindicalista diz que não quer causar alarde, mas não enxerga a curto prazo uma perspectiva de melhoria no setor e não descarta novas demissões para este segundo semestre.  Argumenta que essa crise econômica não atinge somente o setor metalúrgico, mas também outros setores.

“Queríamos aqui dizer que as empresas estão estabilizadas e que não haverá demissões, mas não podemos.  Não dá para fazer um diagnóstico positivo, pois a crise atual impede as empresas de promoverem investimentos e manter a produtividade estável.   Se não há demanda, as empresas não podem fabricar seus produtos para guardar em estoques”, colocou Lourenção. “Tem que haver rotatividade entre a fabricação, compra e venda”, complementa.