Bosco foi um jogador que atuou em várias posições

Como dizem os grandes entendidos do futebol:  “O jogador craque traz o talento desde o nascimento”. João Bosco Antunes foi este jogador. Tinha rara qualidade técnica e jogava com muita facilidade. Seu inicio no futebol foi aos 18 anos, logo que chegou para treinar na Associação Atlética Botucatuense (AAB), sem ter participado de campeonatos infantis e juvenis. Foi apresentado ao técnico “velho” Guanxuma que, de imediato, viu suas qualidades e já o escalou para ser o titular do time, que era um dos melhores de Botucatu.

Na sua estreia jogou contra o poderoso e temido Botucatu Atlético Clube (BAC) que tinha Zé Ito, Ceia, Renatinho, Corvino, Pibo,  Zambonato e Cia. Neste jogo AAB ganhou de 1×0 e com gol de Bosco que já deu seu nome ao XIII Campeonato Suíço da AAB. Em entrevista para o Jornal Acontece Botucatu contou um pouco de sua vida no futebol.

 

Acontece – Como foi seu inicio no futebol?  

Bosco – Na verdade comecei brincando com bola na Rua Cardoso de Almeida, no centro de Botucatu,  com os amigos e depois mudamos para um campinho próximo a AAB, que a gente chamava de “Campinho do Natal”. Ali comecei a dar meus primeiros passos como jogador, mas já estava com uma idade avançada para o futebol. Tinha 18 anos e ainda não tinha participado de nenhum campeonato oficial infantil ou juvenil. Do campinho do Natal fui treinar na AAB onde disputei meu primeiro campeonato oficial que foi no amador.

 

Acontece – Quais foram os principais times que você jogou?

Bosco – AAB, Rodoviário, onde joguei 7 anos e fui 6 vezes vice-campeão. Ganhei meu primeiro titulo pelo Bairro Alto como campeão invicto. Joguei também pelo Inca, Itatinguense e disputei o Campeonato Amador do Estado pelo Ama de Tietê ficando campeão e tive a felicidade de fazer  o gol do titulo, quando faltavam 10 minutos para acabar o jogo com 5 mil pessoas no estádio. Foi um momento glorioso na minha carreira. Tive uma passagem pelo Laranjalense  por 5 meses disputando a 2ª divisão do Campeonato Paulista.

 

Acontece – Relembre um momento na sua carreira que você nunca esquece e ficou gravado na sua memória.

Bosco – Teve este jogo da final que marquei o gol do titulo pelo Ama de Tietê e também quando cheguei para jogar na AAB. Logo na estreia fui escalado para jogar contra o poderoso BAC e ganhamos de 1×0 e fiz o gol da vitória.

 

Acontece – Descreva agora um momento que não foi bom, uma tristeza que aconteceu na sua carreira.

Bosco – Foi numa decisão de campeonato amador entre Bairro Alto e Rodoviário onde eu jogava e empatamos em 1×1 e a decisão foi para os pênaltis. Pediram para que eu batesse, mas estava inseguro, pois em um dos jogos anteriores já tinha perdido um pênalti. Escolheram o falecido Bira, naquela época era apenas um batedor para os 5 pênaltis. O Bira perdeu 4 que foram defendidos pelo Zé Varoli e o time adversário só desperdiçou duas cobranças. Perdemos o titulo. Então quando me lembro deste jogo me arrependo por não ter batido os pênaltis. Acredito que não teria errado tanto e o Osvaldo Pagani, o “Osvardão”, que era o técnico me falou:  “Bosco se você tivesse batido os pênaltis nós teríamos sido campeões”. Hoje carrego esta culpa, mas não podia adivinhar que o outro iria errar tanto.

 

Acontece – Aponte um gol que você considera um dos mais belos que você fez.

Bosco – Jogava pelo Itatinga, Campeonato Amador,  contra o Boa Vista. Recebi um cruzamento do ponta direta fora da área grande, entrei com tudo de cabeça e a bola foi no ângulo. Um gol muito difícil de fazer.

 

Acontece – Fazendo uma auto-análise qual é a sua principal qualidade como jogador.

Bosco – Não sou um jogador de uma posição só. Joguei de volante e nesta posição me movimentava bastante indo e voltando sempre ajudando meus companheiros na marcação e nas assistências e procurava servir meus companheiros melhores colocados. Também atuei na meia direita, ponta direita, fazia gols de cabeça, faltas e driblava quando era preciso. Enfim, tinha facilidade para jogar.

 

Acontece – Com essa facilidade e qualidade técnica que tinha para jogar futebol porque não seguiu a carreira profissional?

Bosco – Tive a oportunidade de fazer teste na Ponte Preta, com o Cilinho e passei no teste,  mas já estava com 19 anos. Se tivesse 17 ficaria. O que me atrapalhou foi a idade. Com 28 anos fui jogar no profissional da 2ª divisão pelo Laranjalense por 5 meses e era titular. Mas como trabalhava no banco só jogava e não treinava, os outros jogadores começaram a reclamar. Então o técnico pediu pra que treinasse, mas não podia deixar meu trabalho, porque no banco ganhava o dobro do que ganhava jogando, Decidi sair do Laranjalense e fui jogar pelo Ama de Tietê pelo qual fui campeão do estado.

 

Acontece – Conte como foi sua experiência no futebol de salão jogando pelo Banespa.

Bosco – Participei de 18 campeonatos na cidade e tive a felicidade de ganhar 10. Nosso time era muito forte e esteve em vários campeonatos que envolvia os Banespas de todo o Brasil, mas o nosso (Banespa) aqui de Botucatu nunca chegava lá e num campeonato que fui técnico e jogador sagramo-nos campeões brasileiros. Até hoje o pessoal me elogia por aquele título. Também joguei no Botucatu Tênis Clube (BTC) que foi campeão do interior do Estado e tinha uma grande equipe.

 

Acontece – Cite um jogador que jogou ao seu lado que você  considera como um dos melhores.

Bosco – Para mim foi o Renatinho, irmão do Zé Ito. Era um craque de bola, a gente se dava muito bem dentro e fora de campo. Era um grande amigo e parceiro.

 

Acontece – Hoje você está com 63 anos, continua ainda em atividade no esporte?

Bosco – Sim! As quartas-feiras jogo o suíço na AAB e também brinco um pouco de tênis. Fiz uma cirurgia no joelho um ano atrás e meu médico falou que não poderia mais jogar, mas brinco um pouco também para não ficar totalmente parado e é sempre bom rever os amigos, bater um papo e tomar uma cervejinha.

 

Por: Jair Pereira de Souza