Benesses da nossa política nacional

Antes de tudo devo dizer que por várias vezes entrevistei o deputado petista José Genuíno que, regularmente, vinha a Botucatu. Uma dessas entrevistas feitas na sede do PT em Botucatu ficou por um longo tempo em destaque no seu blog pessoal. Sempre tive por ele um respeito muito grande e, mesmo não sendo petista, fui um dos que, inicialmente, duvidaram que tivesse participado do mensalão. Mas as evidências não deixaram dúvidas. Senti muito. De verdade!

De todas as 25 pessoas que foram condenadas nesse triste episódio que introduziu o mensalão na política nacional, a situação mais cômoda é, exatamente, do José Genuíno, que, estrategicamente, pediu sua aposentadoria por invalidez (pasmem) e se ela for aceita irá receber mensalmente o salário integral de deputado: R$ 26.723,13. O valor será reajustado sempre que o salário dos parlamentares também aumentar. Ela foi afastado por 120 dias e está recebendo auxílio doença, aguardando o julgamento de sua aposentadoria.

Na pior das hipóteses, ou seja, se a aposentadoria for negada, Genoíno já tem uma renda vitalícia mensal de R$ 20 mil garantida, ainda que tenha o mandato cassado. Isso porque o parlamentar tem direito ? aposentadoria por tempo de contribuição no Congresso. De acordo com a Câmara dos Deputados, foram 24 anos de prestação de serviços no Legislativo. Nessa mesma situação de Genoíno está Valdemar da Costa Neto, que foi condenado e se tiver o mandato cassado terá direito aos R$ 20 mil de renda mensal vitalícia. E eles não estão fazendo nada de ilegal, já que isso é permitido pela Constituição.

Não bastasse isso os deputados com renda vitalícia e seus parentes diretos continuam tendo direito também ao plano de saúde da Câmara. O regimento interno da Casa garante aos ex-deputados atendimento no Departamento Médico da Câmara, manutenção do atendimento pelo plano médico Pró-Saúde, que tem convênio com grandes hospitais como Sírio Libanês e Albert Einstein, e reembolso de gastos médicos.

Por essas e muitas outras é que a profissão de deputado é disputada a tapa. Quem está lá dentro não quer sair e faz o possível e impossível para continuar se elegendo e os que não estão dentro, querem entrar. E no poder muitas falcatruas são cometidas fazendo com que uma pessoa entre para a política tendo com patrimônio um único Fusca, como é o caso de Renan Calheiros, presidente do Senado Federal e construa um império nababesco com fazendas, redes de rádio e televisão, imponentes e suntuosos imóveis como casas e apartamentos, entre tantas outras coisas.

Citamos Calheiros, mas tem muita gente (a grande maioria) no Congresso Nacional que enriqueceu ilicitamente. E o pior de tudo é que o salário pago a um parlamentar é o mais alto do mundo e não precisaria de mensalão ou de qualquer outro estratagema para ter uma vida financeira estável, aproveitando-se dos benesses do poder, sem precisar tomar para si o que seria de todos.

Vamos fazer um exercício da atual situação dos vencimentos (que são públicos) dos 513 deputados de Brasília. Cada parlamentar custa hoje aos cofres públicos R$ 4.666,00 por dia, R$ 140 mil por mês, ou R$ 1.8 milhão por ano. Nesse montante incluem-se benefícios como salário, verba de gabinete, 13º salário, plano de Saúde completo, passagens aéreas, alimentação, auxílio moradia, combustível, consultorias, assinaturas de jornais e revistas, cotas postal e de telefone, etc,etc…

Isso só na Câmara dos Deputados. Imagine agora quanto dinheiro escoa, mensalmente, dos cofres públicos para pagar ministros, senadores, deputados estaduais, prefeitos, vereadores, secretários, assessores, outros assessores, mais assessores, além de assessores e assessores. Haja fome para saciar tanto apetite por dinheiro!