Associação confirma paralisação de médicos residentes da Unesp

De acordo com a presidente da Associação dos Médicos Residentes de Botucatu, Priscila Medeiros, que está no seu 2º ano de residência, está confirmada a paralisação dos 327 médicos residentes da Unesp, em protesto contra os baixos valores de remuneração da bolsa, garantia de auxílio moradia e alimentação, além do cumprimento da jornada de trabalho de 60 horas semanais. A manifestação está marcada pela acontecer em frente ao Pronto Socorro (PS).

“Vamos sim, fazer essa manifestação, durante todo o dia, em frente ao PS. Iremos dar uma volta pelo campus e depois iremos juntos decidir se iremos aderir a greve, a partir desta sexta-feira. Não vamos decidir nada, isoladamente. A maioria vai decidir o que vai ser feito depois dessa manifestação”, colocou a presidente.

Outra explicação dada por Priscila Medeiros foi com relação ao atendimento, caso a decisão da maioria seja pela paralisação. “Podemos tranquilizar a população e usuários da Unesp que os serviços emergenciais e de urgência serão mantidos, assim como o acompanhamento aos enfermos”, garante.

O protesto dos residentes se iniciou nesta terça-feira onde, de acordo o com a Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR), vários Estados paralisaram parcialmente ou totalmente suas atividades: São Paulo, Amazonas, Bahia, Alagoas, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Maranhão, Pará, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Ceará e Santa Catarina. Os protestos acontecem de acordo com a determinação de cada Estado.

Segundo a Associação, 80% da categoria já aderiu ? greve. Eles alegam que a bolsa está congelada desde 2007 e reivindicam aumento de 38,7% , que, atualmente, é de R$ 1.916,45. Os ministérios da Saúde e da Educação propõem um reajuste menor, de 20%. Os cerca de 10 mil médicos-residentes do Estado de São Paulo vão discutir se continuam a greve ou se aceitam a proposta do governo durante assembléia que acontece nesta quinta-feira. Os residentes estão atuando em mais de 70% dos atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS).

{n}Conselho se manifesta sobre movimento{/n}

O Conselho de Residência Médica da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB) esclarece, sobre os boatos de paralisação e eventual greve dos médicos residentes, que:

Está programada para quinta-feira, 19 de agosto, durante todo o dia, uma paralisação dos médicos residentes que cursam especialização na FMB e realizam treinamento em serviço no Hospital das Clínicas. A ação segue mobilização nacional da categoria.

No entanto, somente no final do dia, através de assembléia que também será realizada na Capital pela Associação dos Médicos Residentes do Estado de São Paulo, é que será decidido se haverá ou não greve a partir do dia 20 de agosto. Caso seja deliberado pelo fim temporário das atividades, há o compromisso de serem mantidos os serviços de urgência e emergência do HC e a paralisação será feita de forma gradativa.

Ressalta-se, ainda, sobre a jornada de trabalho dos médicos residentes, que a carga de 60 horas semanais, mais um plantão, está prevista pela Lei 6.932, de 7 de julho de 1981, que regulamenta o funcionamento dos programas de Residência Médica no Brasil. No caso específico dos 327 residentes que atuam no HC/Unesp de Botucatu, nos 36 programas oferecidos pela FMB, é repassado pela Reitoria da Universidade auxílio-moradia no valor de R$ 397,02, além da bolsa mensal de R$1.916,45 (84% pagos pela Secretaria de Estado da Saúde e 16% custeados pela Unesp).

Fotos: Flávio Fogueral