Amigos e fãs prestam a última homenagem a Tinoco

“Foi uma perda irreparável e o mundo sertanejo ficou sem o seu maior ícone. Tenho orgulho de ter sido seu amigo por mais de 30 anos e desconheço alguém que tenha sido tão fiel (? música sertaneja raiz) quanto ele”. Foi o que disse o cantor Ramiro Vieira de Andrade, o Ramiro Viola, que faz dupla com Pardini e foi o único botucatuense que esteve no velório do cantor José Peres, ou Tinoco, como ficou conhecido e um dos maiores expoentes da música sertaneja.

Tinoco morreu aos 91 anos de idade na madrugada de sexta-feira (4) no Hospital Municipal Ignácio de Proença de Gouvêa, na Mooca, onde havia sido internado um dia antes com insuficiência respiratória. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, Tinoco foi levado para uma sala de emergência assim que chegou ao hospital e, em seguida, foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundos os médicos, ele não resistiu ? segunda parada respiratória que sofreu.

Centenas de parentes, amigos e fãs do artista aproveitaram para dar o último adeus ao cantor no Cemitério da Quarta Parada, na Zona Leste onde, inicialmente, o sertanejo foi velado. O corpo foi sepultado por volta das 17h15 de sexta-feira no Cemitério da Vila Alpina, também na Zona Leste de São Paulo. Durante a cerimônia, fãs e amigos relembraram momentos da carreira do músico, cantaram músicas de sua dupla com Tonico, rezaram e aplaudiram.

“Embora a gente estivesse num momento muito triste com a perda, muitas homenagens foram prestadas. Ele morreu, mas jamais será esquecido, por tudo que fez pela nossa música sertaneja raiz. Foi uma pessoa maravilhosa com quem tive a honra de conviver”, colocou Ramiro Viola, lembrando que uma das grandes lições deixadas por Tinoco foi a de que as pessoas devem se cuidar. “Ele dizia que a gente tem que se preparar como um atleta. Este homem era uma fera, por isso viveu até os 91”, disse.

O cantor nascido no Município de Botucatu, especificamente, no Bairro do Guarantã, nos seus 75 anos dedicados ? música manteve sempre estreitas relações com a Cidade. No dia 4 de outubro do ano passada foi homenageado em Botucatu num evento que atraiu cerca de 1.700 pessoas, entre amigos e fãs, que teve início ? s 10 horas com a 17ª Missa Sertaneja celebrada pelo Padre Orestes Gomes, na Igreja Nossa Senhora Menina, na Vila Maria. Os derradeiros momentos da presença de Tinoco em Botucatu foi registrado pelo fotógrafo David Devidé, amigo pessoal e fã do cantor.

“Foi uma das maiores emoções da minha vida”, disse Tinoco na ocasião. Impagável a cena em que Inezita Barroso, entrou na igreja, cantando um dos seus maiores sucessos: “Lampião de Gás”, causando grande comoção na igreja. Após o término da missa aconteceu a “queima do alho” com almoço caipira e renda total revertida ao Tinoco.

Uma missa de sétimo dia pela alma de Tinoco acontece no próximo sábado (12), ? s 18 horas na Igreja Nossa Senhora Menina, na Vila Maria em Botucatu. A celebração será feita pelo padre Orestes Gomes. “É uma maneira da população de Botucatu prestar sua homenagem a esse cidadão que levou o nome da Cidade por todas as regiões brasileiras”, frisou Ramiro Viola.

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Tinoco formou uma das duplas sertanejas mais famosas e respeitadas do País ao lado do irmão mais novo João Salvador Peres, o Tonico, ainda nos anos 30. Com a paixão pela música herdada dos avós maternos, Olegário e Izabel, Tonico e Tinoco começaram a carreira em 1930, quando moravam em Botucatu. A primeira apresentação profissional aconteceu cinco anos mais tarde, junto com um primo, em show em uma quermesse local.

Em 1941 a família se mudou para a capital paulista e, devido ? s dificuldades financeiras, começaram a fazer apresentações aos finais de semana, ao lado de Raul Torres Florêncio, como o trio Os Três Batutas do Sertão.
Inscreveram-se em um programa de calouros na Rádio Emissora de Piratininga, chegando ? final do concurso, quando foram aplaudidos de pé pelo público. Outros violeiros da competição também se emocionaram e cumprimentaram a dupla que já dava sinais de sucesso.

A partir daí começaram a colher os frutos e, no início da década de 50, já eram considerados um dos maiores nomes da música sertaneja no País. Fizeram milhares de apresentações por todo Brasil, vendendo milhões de cópias de discos. A dupla teve fim com a morte de Tonico, em 1994. Tinoco passou a se apresentar sozinho.

Sua última aparição pública foi na última quarta-feira (2), um dia antes de ser internado na gravação do programa “Viola Minha Viola” da apresentadora Inezita Barroso, que foi ao ar neste domingo (6), onde foi homenageado por várias duplas, Inicialmente, estava previsto que a gravação desse programa especial iria ao ar no dia 20, porém a morte do cantor antecipou a apresentação.