A culpa só pode ser dos aposentados

Muito se comenta que atualmente o número de pessoas que procuram apoio do INSS – Instituto Nacional de Previdência Social, para requerer auxílio doença, vem crescendo significativamente e isso estaria contribuindo pelo rombo da entidade estar em bilhões de reais. Muito bem, esse discurso é, no mínimo, covarde.

Na verdade, estão usando o auxílio doença como bode expiatório em razão da incapacidade que o governo tem de resolver os problemas que afetam a entidade. E isso não é de culpa do governo atual. Mas, assim como os anteriores, está procurando empurrar o problema com a barriga.

E os aposentados? Aqueles que passaram anos de sua vida vendo descontados todos os meses a sua contribuição para ter uma velhice tranqüila, vivem um pesadelo. Muitos aposentados tiveram (e têm) que voltar as suas atividades em razão da defasagem de seus rendimentos. E voltar a atividade profissional nesse país onde a concorrência abunda não é fácil. A oferta é muito menor do que a procura. Principalmente para quem já passou dos 40 ou 50 anos.

Com essa crise financeira de décadas da entidade, o poder de compra e de vida dos aposentados vem caindo a cada ano. Gradativamente. Está chegando ao ponto crítico da insustentabilidade. E não há luz no fim do túnel visível. Pelo contrário, o túnel parece não ter fim e está cada vez mais escuro e sombrio. Onde vai dar isso é de fácil previsão.

O agravante é que nossas autoridades constituídas (aquelas) se preocupam com os rendimentos mensais dos aposentados e esquecem-se das inúmeras falcatruas que lesam o INSS. São milhões de reais que vazam pelo ralo da corrupção todos os meses, por conta dos fraudadores.

Isso se fosse combatido com deveria ser, eliminaria o problema de caixa da entidade. Repito: eliminaria. Por completo. E sobraria dinheiro. Muito. Mas é mais fácil colocar a culpa nos aposentados, que são apenas vítimas de um sistema falho, falido, corrupto e viciado.

O pior de tudo é que no que tange a aposentadoria, quem se dá bem são exatamente os políticos, aqueles mesmos que deveriam estar encontrando soluções para equacionar o grave problema do INSS. Porém eles pouco, ou nada fazem para melhorar a vida dos aposentados. Afinal, eles vão se preocupar por quê? A lei lhes faculta o direito de aposentar com o salário integral do Congresso, após oito anos de árduo “trabalho”. Ou seja, para que um deputado federal consiga sua aposentadoria, bastam dois mandatos seguidos ou intercalados. Oito longos e intermináveis anos.

Como oito anos são um tempo demasiadamente extenso e a reeleição não é uma garantia, os deputados encontraram uma maneira para não serem prejudicados. Então, eles legislam por quatro anos e caso não se reelejam, podem continuar pagando o INSS por mais quatro, totalizando os oitos anos previstos de contribuição. Com isso garantem uma polpuda aposentadoria para o resto da vida. Para o cidadão comum são necessários “apenas” 35 anos de contribuição. Diferença pequena, politicamente falando.

Por esse e outras que a gente fica descrente da classe política desse país e eu sempre que tiver oportunidade vou falar sobre isso. Político pra mim é nocivo ao país. E a crítica é minha maneira de protestar contra tudo isso que está aí. Para mim a maioria dos políticos representa a classe mais baixa e torpe da nossa sociedade.

Tem gente boa na política? Já disse muitas vezes que sim, mas é a minoria, a esmagadora minoria. A maioria está lá para satisfazer suas realizações pessoais e pouco se importa com a situação dos seus eleitores, aproveitando as escandalosas benesses do poder. Afinal, o povo só é importante na hora do voto. Dane-se o povo!

Mostrar insatisfação é uma maneira democrática para extravasar e gritar contra as diferenças sociais desse Brasil, onde apenas uma pequena gama de pessoas (10% mais ou menos) é privilegiada. Os demais 90% lutam para tentar viver dignamente. Desse montante, a maioria vive na miserabilidade total porque o país não tem dinheiro (muito menos competência) para acabar com essa desigualdade premente. E a culpa é do aposentado. Sempre.