“Reino da Gurizada” é lembrado em programa de TV

Fotos: Reprodução TV Alpha

“Mas, se eu ficar um só momento, sozinho sem te ver / Eu fico triste só de pensar em te perder / O nosso amor é puro, espero nunca acabar…” ou “Eu sei que ainda sou muito jovem, mas a juventude conhece o amor / E eu já nasci com vontade de te amar…”.

São esses trechos das músicas “Ninguém Vai Tirar Você de Mim” e “Amor de Criança”, de Roberto Carlos/Erasmo Carlos, que também foi gravada em disco de acetato, em 78 rotações, por Ana Maria Vocci, no início dos anos 60 quando ela, aos 9 anos de idade, venceu o concurso do programa “No Reino da Gurizada” que era apresentado todos os domingos a partir das 10 horas no auditório da Rádio Emissora de Botucatu – PRF-8.

E foi esse o tema do programa “Memórias de Botucatu”, apresentado por Nenê Bueno pela TV Alpha, canal 2 Net, com direção de Fernando Bruder, ? s quintas-feiras a partir das 19 horas, reprisado aos sábados ? s 22 horas e domingos ? s 15 horas. Durante uma hora Bueno fez uma série de entrevistas com os verdadeiros artistas daquele programa que marcou época no rádio botucatuense, com apresentação de Benedito Santa Rosa, em que se apresentavam crianças com até 11 anos de idade.

Além de Ana Vocci, Bueno foi buscar, também, grandes “ferinhas” do programa de auditório criado por Plinio Paganini, como por exemplo, o “pop star” daquela época: Rivaldo José Corulli, o Maninho, hoje diretor de TV, que tinha até fã-clube. Ele lembrou com muito carinho daquela fase do rádio botucatuense. “Que tempo gostoso aquele. O auditório ficava lotado todos os domingos. O programa, transmitido ao vivo, era uma febre e ficou marcado na história do rádio botucatuense”, ressalta Corulli.

Também não ficaram de fora “artistas” como Ivani Quadros, Rita de Cássia Arias, Nilson Moreci, Célia Terezinha Dalaqua Bonjoão, Ana Terezinha Cuter, Silvia Maria Montocaro, Iolanda Soler Ribeiro, Sueli de Fátima Floriano, Elizabete Gonçalves da Silva, Célia Regina Santa Rosa, entre tantas outras talentosas crianças que cantavam, principalmente, músicas da Jovem Guarda e encantavam as manhãs de domingo na década de 60.

Além de Benedito Santa Rosa, o auditório também foi animado por apresentadores como Mário Perini Pascuci, Oduvaldo Viana, Plinio Paganini, Adalberto Mattos, João Carlos Moreira e o próprio Rivaldo Corulli. Os ensaios eram realizados aos sábados e muitos músicos passaram pelo programa. Antônio Arias, Francisco Arias, Ficheta e seu conjunto, João Cicino, Aílton, Durval Pereira, João Galvani, Laudelino, Serrinha, Vicente Lofiego, foram alguns deles. Na técnica ficavam Heitor Titon, Rubens Roberto Herbst e Elcio Paganini.

“Tudo era realizado por um grupo de pessoas lideradas pelo diretor Plinio Paganini que fazia o programa acontecer e era um sucesso de audiência e de público, com muito improviso. O auditório da PRF-8 ficava pequeno, com150 pessoas sentadas e outras tantas em pé. O programa começava ? s 10 horas, mas ? s 8 horas já tinha gente formando fila e as disputas entre os cantores mirins eram muito acirradas”, recorda Santa Rosa.

O apresentador lembra que era o auditório quem decidia o vencedor da semana, através de palmas e gritos. “A criança cantava e disputava o “trono” com a que cantava na sequência, até a final, onde eram definidos o rei e a rainha de cada semana que eram coroados”, diz enfocando que todas as crianças que se apresentavam recebiam brindes fornecidos pelo Café Tesouro, Sabão Colosso, Chocolates Lacta, Leite Lia, Sorvetes Skimell e Biscoitos Catu.

Para o apresentador Nenê Bueno, o objetivo ao fazer esse programa foi mostrar um momento muito importante do rádio botucatuense. “Posso afirmar que tive um prazer especial ao entrevistar essas pessoas que foram protagonistas daquele programa. E é este o espírito do “Memórias Botucatu”, ou seja, resgatar fatos que marcaram a história dessa cidade”, colocou Bueno.