Pretos X Brancos teve três partidas amistosas

Campo da Cerejeira, na Vila São Luiz sediou o 39º ano consecutivo do tradicional encontro Preto x Branco que reúne amigos e boleiros para a disputa de animadas “peladas” de fim de ano. O evento é considerado uma celebração ? amizade e uma forma descontraída de dizer não ao preconceito.

Antes de a bola rolar, as tradicionais provocações e brincadeiras. Assim que o juiz apita, ninguém admite perder e o jogo parece valer três pontos. Fora de campo, no barranco usado como arquibancada, muitas risadas e os “corneteiros” de plantão mais uma vez fizeram a festa.

Assim como em 2012, o evento foi prestigiado pelo prefeito João Cury, que reforçou o time dos brancos na primeira partida, bem como pelo superintendente da Sabesp, Mário Pardini Affonseca. Também marcou presença o presidente da Câmara Municipal, Ednei Carreira.

Na edição do ano passado foram realizadas três partidas com a vitória dos brancos em todas elas. Na categoria acima de 50 anos goleada de 7 x 3. Na faixa dos 35 aos 49 anos vitória por 5 x 3. E no jogo da garotada o placar foi de 3 x 1.

Entretanto, neste ano quem levou a melhor foram os pretos, vencendo todas as partidas. “Neste ano não teve jeito. Eles foram melhores e fizeram barba, cabelo e bigode”, brincou o ex-vereador José Fernandes de Oliveira Júnior, um dos organizadores do evento.

No primeiro jogo que reuniu os mais veteranos, vitória tranquila pelo placar de 3 x 1, com gols de Deoclécio, Biro e Du. Os brancos descontaram com gol contra de Deoclécio. Os pretos jogaram com Paulo Baldin, Estevan, Paulinho da Merenda, Biro, Pedro Dias, Wilson, Deoclécio, Du, Miltinho, Tio Chico, Hidromel, Chita. O time dos brancos formou com: Marcão, Jorge Aguiar, Vadão, Coca, Joel Galhardo, Zé Fernandes, Joca, Chico Pilan, Hiradir Peres, Silvio Bis, Pizzigatti, Betão, Pardini e João Cury.

Na faixa abaixo de 35 anos, em partida bastante disputada, vitória magra dos pretos por 1 x 0, com direito a pênalti desperdiçado pelos brancos. O único gol da partida foi anotado por Benê. Os pretos atuaram com Sapeca, Valter, Benê, Tilico, Davi, Kauan, Fiapa, André, Danilo Benvindo, Gatinho, Gato Preto, Uderval, Xande e Tinga. O time dos brancos atuou com Paulinho Baldin, Marquinho, Paulo Renato, Roma, Paulinho do OP, Badiola, Goes, Oscarzinho, Marcos, Chupeta, Danilo Lofiego, Dirlei, Zé Luís, Sidney e Parré.

Na última partida, que reuniu a garotada, os pretos também levaram a melhor vencendo por 2 x 0, com gols de Matheus Moraes e Leo. O time dos pretos formou com Sapeca, Miguel, Matheus Moraes, Zé Barduco Jr., Wesley, Leonardo, Dé, Maurício e Gurú. Os brancos atuaram com Caio, Chicão, Goi, Tico Jr., Maurício, Rafa, Guilherme, Michel e Zeca.

Figuras como Tio Chico, Tito da Telesp, Pizzigatti, Vadão Zanchitta, que compõem a chamada “velha guarda” do confronto, não esconderam a satisfação com o sucesso do evento. “É ótimo para nossas vidas e para Botucatu. O que mais me deixa feliz é a amizade que conquistamos ao longo do tempo. Hoje fico na arquibancada, do lado de fora, torcendo para que essa tradição nunca morra”, comenta Tito.

“Já participo desse jogo faz cerca de vinte anos. Para nós o mais importante é a confraternização entre os amigos, comemorando o fato de estarmos mais um ano juntos. Temos até gente que vem de fora só para participar desse encontro. Mais importante que o resultado é a amizade que existe entre nós”, afirma Vadão.

Hoje, um dos responsáveis pela organização do evento é o ex-vereador Zé Fernandes, que também ressaltou o caráter festivo do encontro. “É gratificante poder de alguma forma contribuir para a organização desse evento. Estou apenas ajudando a dar continuidade ao trabalho iniciado pelo Tito da Telesp, pelo Tio Chico e tantas outras pessoas. Gosto da área de esporte e a cada Preto contra Branco me sinto gratificado, por exemplo, de ver o Pizzigatti vindo do Mato Grosso só por conta do jogo. A amizade é o que mais conta. E no ano que vem vamos preparar uma grande festa para marcar os quarenta anos dessa reunião de amigos”, anuncia.

Além de ressaltar o fato do jogo reforçar os laços de amizade, o prefeito João Cury valoriza a mensagem da luta contra o preconceito que o evento carrega e ajuda a dissiminar. “É importante valorizar a iniciativa desse grupo de amigos, de pessoas do bem, que numa brincadeira acabaram criando uma tradição que se transformou em uma confraternização através do esporte. E mistura também essa questão tão atual do combate ao racismo, de destacar a miscigenação, a mistura que marca o Brasil. Esse grupo traz uma grande mensagem de tolerância e isso tem que ser olhado com muito carinho pela população. Em razão disso o poder público deve apoiar esse tipo de iniciativa, criando as condições necessárias para que o evento se fortaleça ano após ano”, comentou.

{n}História {/n}

Tudo começou em 1974 no campo de terra batida construído no terreno pertencente aos Correios na Rua Vicente da Rocha Torres, na Vila Aparecida. Para celebrar a passagem de ano, um grupo de amigos liderados por Tio Chico e Pizzigatti resolveu organizar uma partida de futebol dividindo de um lado jogadores que se denominavam pretos e de outro os brancos.

Nos primeiros anos o duelo sempre aconteceu no dia 31 de dezembro. A imensa maioria dos peladeiros era formada por gente da própria Vila Aparecida, reconhecida como reduto de bons jogadores e da melhor batucada da cidade. Mas o que começou como uma simples brincadeira transformou-se em tradição e acirrou uma rivalidade sadia marcada por muitas brincadeiras e a cada edição do evento, assim que o juiz apita o fim da partida, tudo acaba em festa. Um jeito simples de dizer não ao preconceito e de celebrar a amizade.