Presidente da ACOB critica mudanças na São Silvestre

Com apoio da Associação dos Corredores de Botucatu (ACOB) muitos atletas da Cidade já estão se preparando para mais uma edição da tradicional Corrida Internacional de São Silvestre 2011, que acontece no dia 31 de dezembro em São Paulo.

O percurso vinha sendo mantido há vários anos, porém, a Companhia de Engenharia de Tráfego da capital paulista anunciou que a prova terá um novo percurso, que não termina na Avenida Paulista como antes. O motivo alegado para a mudança, que já vinha sendo discutida e comentada há alguns anos, foi tentar evitar somar as multidões envolvidas com a prova e as festividades do Ano Novo. A mudança não agradou o presidente da Associação dos Corredores de Botucatu (ACOB) Edemilton Santana, um dos mais assíduos participantes desta prova.

Foram feitas alterações ao longo do percurso, mas a principal mudança é depois da subida da Brigadeiro Luiz Antônio; em vez de entrar ? direita na Paulista, o corredor vai seguir em frente, continuando pela Brigadeiro, mas agora em descida. Lá em baixo, vai dobrar ? esquerda, depois ? direita e mais uma vez ? esquerda até chegar ? Praça Túlio Fontoura, em frente ao Obelisco, na região do Parque Ibirapuera. A distância continua sendo de 15 km. “Ainda não conversei com treinadores nem médicos ortopedistas, mas conheço muito bem a descida da Brigadeiro e posso garantir que o novo percurso aumenta os riscos para corredores desavisados. A parte mais íngreme é relativamente curta, tem uns três quarteirões mais pesados”, disse Santana.

Como todos sabem, continua o presidente da ACOB, subidas são mais difíceis em corrida de rua, mas descidas são mais arriscadas. “Além do aumento do impacto no esqueleto, músculos e articulações, o corpo recruta grupos musculares que comumente não são tão exigidos na marcha”, diz. “Fora isso, há o fato de que você acha que pode aumentar a velocidade e, efetivamente, passa a correr mais rápido; um escorregão ou uma torção podem ter resultados desastrosos”, alerta.

Santana entende que cada treinador de equipe de corrida vai começar novos estudos para aprimorar e adaptar os treinos de seus alunos para que os corredores sejam capazes de enfrentar, física e psicologicamente, o novo desafio que a São Silvestre coloca para todos.

“Quem não tem treinador deve procurar se informar bem sobre os novos riscos, experimentar aos poucos incluir algumas descidas em seus treinos e, na hora do vamos ver, lembrar que a corrida só acaba quando termina”, observa. “Se o sujeito partir em desabalada carreira quando falta ainda um quilômetro e pouco para o final, em descida forte, corre o risco de não chegar”, acrescenta.

Outra preocupação do dirigente de Botucatu é que a desorganização de alguns anos para cá está conseguindo acabar com a mais tradicional corrida de rua do Brasil. “O “glamour” da corrida noturna onde quem dela participava eram os corredores que tinham um “índice técnico” deu lugar a uma prova desorganizada onde o que mais interessa para os organizadores é o retorno financeiro. Para que este retorno seja cada vez maior é cobrado um valor de inscrição alto e vão colocando mais participantes. No ano passado chegou a 20.000 participantes e este ano querem colocar 30.000, independente se estão ou não aptos a participarem desta prova que era uma prova especial onde reunia os mais bem preparados atletas do Brasil e do Mundo”, salienta.

E ele conclui: “Na verdade, a São Silvestre é uma corrida para 200 corredores de elite e uma festa para outros 20.000 participantes. Para aqueles que tentam fazer uma corrida séria e conseguir um bom tempo virou frustração. Portanto, não há motivos para perguntar para um atleta que se prepara como ele foi na São Silvestre, ou qual foi a sua colocação. O único atleta que tem a condição de poder se avaliar nesta prova em nossa cidade é o Marildo José Barduco. O restante é só participação”.

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