Marinho unia habilidade e força física em seu futebol

Por: Jair Pereira de Souza

 

Mário Franco Amaral, conhecido como Marinho, foi um jogador do futebol amador de Botucatu que defendeu nos campos as equipes do Alvorada, Botucatu Atlético Clube (BAC), Brasil de Vila Maria, pelo qual foi campeão em 1985, e Jardim Bom Pastor. Também jogou o amador regional por Igaraçu do Tietê, Conchas e São Manuel. Em Osasco disputou o Campeonato da Integração de 1977, onde sagrou-se campeão.

Marinho se destacou como um jogador de muito preparo físico, com uma marcação forte e procurava não dar espaço para o adversário. Também era um distribuidor de bola, sempre servindo seus companheiros com passes e lançamentos precisos. Em entrevista o jogador contou um pouco de sua trajetória futebolística.

 

Acontece – Marinho como foi o inicio de sua trajetória como jogador?

Marinho – Na verdade disputei muitos campeonatos no futebol de salão, mas meu inicio no futebol de campo, foi ainda menino com apenas 13 anos de idade disputando o Campeonato Amador pelo Alvorada, isso em 1967. Nessa época já tinha o sonho de ser um jogador profissional e jogar na Seleção Brasileira, como nosso Zé Maria que foi tri-campeão pela seleção em 1970. Não consegui me profissionalizar porque tinha que trabalhar para ajudar em casa. Por isto nunca fiz teste e o tempo passou. As oportunidades não surgiram, mas como sempre gostei de jogar futebol fiz meu papel jogando em Botucatu e na região.

 

Acontece – Marinho, cite um momento que foi marcante e que você nunca esquece na sua carreira como jogador.

Marinho – Foi num jogo que eu jogava pelo BAC contra o Inca. Entrei de uma maneira violenta numa jogada e poderia ter machucado meu adversário. O árbitro do jogo era o Eduardo Bozano Santiago que chegou bem perto de mim e disse: “Marinho, você não precisa disto, porque sabe jogar futebol!”. Aquela atitude do Bozano me deixou emocionado. Vi que gostava de mim e quis me orientar, chamando minha atenção. Aquela jogada merecia cartão amarelo, mas ele me poupou. Esta experiência só me ajudou no futebol. Fez-me crescer ainda mais. Valorizei isto e a partir daquele dia considerei que no futebol não pode ter violência. 

 

Acontece – Agora fale um momento que não foi bom e marcou esta trajetória.

Marinho – Foi em 1973, numa final de campeonato entre BAC e Bairro Alto, no estádio da AA Ferroviária. Jogava pelo BAC e por um gol ilegal que o juiz deu porque o jogador adversário estava impedido, perdemos o jogo por 1×0. Este foi um momento triste e tive que me contentar com o vice-campeonato.

 

Acontece – Marinho você poderia nos descrever um gol que você fez e que sempre está na sua memória?

Marinho – Foi num jogo entre Alvorada e Inca. Jogava pelo Alvorada numa partida na Ferroviária. Recebi uma bola no meio, passei por dois zagueiros e toquei no canto do goleiro que era o Zé Varoli.  Com este gol, que para mim foi muito importante na carreira, ganhamos de 1×0.

 

Acontece – Qual sua principal qualidade como jogador?

Marinho – Sempre tive um ótimo preparo físico e marcava forte meus adversários. Por jogar de cabeça erguida também servia bem meus companheiros, tanto é que os dois pontas que jogaram comigo, o Pedrinho Dias e seu irmão Mirinho,  foram artilheiros e a maioria dos gols foram através de passes que saíram de meus pés, sempre nas costas dos zagueiros. Como eram velozes concluíram as jogadas em gols.

 

Acontece – Marinho cite um jogador que jogou ao seu lado que você o considera como um dos melhores.

Marinho – Foi o Niltinho que também jogou no time do Daniel Futebol Clube. É um jogador habilidoso, muito técnico e inteligente. Nunca foi violento e tinha uma tranquilidade incrível. Ainda joga pelos veteranos da AA Ferroviária. Reconheço que foi um dos melhores que jogou comigo. 

 

Acontece – Marinho você ainda está em atividade no futebol?

Marinho – Sim! Atualmente estou com 60 anos, graças a Deus com saúde e podendo ainda jogar futebol aos domingos na Ferroviária com os sócios veteranos do clube.