Jorge Aguiar: sempre capitão em todos os times que jogou

Por Jair Pereira de Souza

 

Mais um grande jogador desfila nas páginas do jornal Acontece Botucatu. Desta feita, Jorge Aguiar, um zagueiro central muito respeitado por todos que jogaram com ele e contra ele, por ser um jogador que tinha comando dentro de campo. Por todos os times que passou,  em razão de sua liderança, sempre era convidado para ser capitão.

Tinha muita qualidade nas bolas aéreas por ter uma estatura física alta, mas tinha predicados maiores como pessoa: seu caráter, sua honestidade, um excelente pai de família e exemplo a ser seguido. Em entrevista Jorge Aguiar contou um pouco de sua trajetória futebolística. 

 

Acontece – Jorge como foi o inicio de sua trajetória como jogador?

Jorge – Meu inicio foi no campo do EC Mangueira, que ficava na Rua Rodrigo do Lago esquina com a Quintino Bocaiuva. Era muito criança e comecei dar meus primeiros passos como jogador neste campo que era chamado de campo da Mangueira porque um dos lados do campo tinha vários pés dessa árvore frutífera e onde,  inclusive,  joguei   meu primeiro Campeonato Dente de Leite organizado pela Rádio PRF-8 sob o comando de Plínio Paganini. Para participar tinha que ter o jogo de camisas e como não tínhamos condições de comprar, cada participante fez a própria camisa de saco de farinha e minha mãe tingiu todas de verde. Fizemos um ótimo campeonato perdemos só um jogo e por isto não classificamos para a final.  Me lembro muito bem que quem fez o primeiro gol pelo nosso time neste campeonato foi o Quico Cuter.  

 

Acontece – Jorge cite um momento que foi marcante na sua carreira e que você nunca esquece. 

Jorge – Foi numa final de um campeonato Juvenil entre Tanquinho e Vila Maria. O Tanquinho era considerado um time pequeno, de médio para baixo e para nós ganharmos da Vila Maria foi uma coisa muito grande. No jogo normal empatamos em 1×1 e fomos para os pênaltis e saímos vitoriosos. Este foi o único título oficial ganho pelo Tanquinho que nunca ganhou um Campeonato Amador. 

 

Acontece – Me fala agora um momento que não foi bom e ficou marcado como uma coisa negativa. 

Jorge – Foi nos Jogos Regionais em Botucatu, perdemos a final pelo Noroeste de Bauru por 3×0. Este jogo foi na AA Ferroviária e estava lotada de torcedores. O time do Noroeste era muito forte, semi-profissional e era muito difícil de ganhar deles, mas por jogarmos em casa, a derrota me entristeceu. 

 

Acontece – Jorge no seu conceito, qual sua principal qualidade como jogador.

Jorge – Acho que são duas:  uma é a liderança dentro de campo, todos os times que joguei sempre fui convidado para ser capitão, outra qualidade é nas bolas aéreas  defendia muito bem de cabeça. Lógico que minha altura ajudava muito. 

 

Acontece – Jorge você foi citado pelo Vadão quando entrevistado, como sendo um dos melhores jogadores que jogou ao lado dele. O que você tem para dizer a respeito disso?

Jorge – Fiquei orgulhoso. Eu e o Vadão jogamos mais de 30 anos juntos, então a gente se dava bem ali na zaga. Realmente o que ele disse é verdade com respeito aos seus cruzamentos onde fiz alguns gols de cabeça. Também quero aproveitar esta oportunidade e dizer que também considero o Vadão como sendo um dos melhores jogadores que jogou comigo. Não foi só um grande jogador, mas também um grande amigo.

 

Acontece – Como você se sentiu por estar sendo homenageado pela Associação Atlética Botucatuense (AAB), através  do Campeonato Suíço, que na sua 25º edição  traz o seu nome?

Jorge – Sim o nome do Campeonato Suiço é Jorge de Aguiar. Hoje considero o melhor campeonato da cidade, o mais comentado porque tem cinco faixas de idade, A, B, C, E e D.  Tive a honra e o prazer de participar dos 25 campeonatos. Tem sido momentos de muita alegria e a todo momento os amigos vem me cumprimentar e fazem seus comentários. 

 

Acontece – Todo menino que gosta de jogar futebol tem um sonho, um dia ser jogador profissional, você tinha este sonho?

Jorge – Não tinha sonho de ser profissional, meu único sonho como jogador era jogar no Tanquinho que foi fundado pelos meus tios e amigos deles. Meus irmãos jogavam no Tanquinho, então realizei meu sonho porque disputei vários campeonatos, inclusive fui campeão juvenil pelo Tanquinho que foi fundado como Sociedade Amigos do Tanquinho. Também joguei no Botucatu Atlético Clube (BAC) onde fui vice-campeão amador e joguei um ano no Boa Vista e também disputei o Amador do Estado por um time de Areiópolis.