Jogo de bochas ainda sobrevive ? modernidade

Podemos dizer que, embora não tenha um número acentuado de praticantes, o jogo de bochas é um dos esportes mais conhecidos do Brasil e sobrevive ? modernidade, mantendo os mesmos preceitos, desde que foi jogado pela primeira vez. As regras são, exatamente, iguais e não sofreram alterações ao longo dos anos.

Em Botucatu, embora ainda existam adeptos, as canchas para a prática das bochas são bem mais escassas e não são encontradas com a mesma facilidade de outrora. E os campos imortalizaram algumas pessoas, como o vendedor Celso Antunes, mais conhecido como “Viadinho”, uma verdadeira lenda desse jogo e apontado como o maior jogador de bochas de Botucatu, de todos os tempos.

Ele passou pelas canchas botucatuenses nos anos 80 e 90 e deixava sua marca em cada partida que disputava. Não bebia nem fumava, mas morreu cedo, com menos de 50 anos de idade. Entretanto, seu nome é citado como se vivo estivesse e suas jogadas são lembradas, exaustivamente, pelos saudosistas. Cada um fala de uma jogada diferente protagonizada por esse jogador.

Viadinho marcou época e tinha como adversários outros notáveis das bochas que já não estão mais entre nós, como o Grilo, Cabrito, Roque Preto, Macarrão, o Dezesseis, o Rafael Martins “Faé”, o Canhoteiro, entre muitos outros. Também fazem parte desse time jogadores que viveram aquela época e ainda estão em atividade jogadores como o Salomão “Salo”, Milton da Farmácia, o Conchas, o Abelardo, o Angelin Ferrari, o Borgato, o Ademar, o Dinho, o Mangueira, o Pirambóia, o Ia, o Zé Tomé, o Estevam, o Mirtão, entre tantos outros. Porém, todos os jogadores da atualidade têm a mesma opinião: “Hoje o melhor jogador de Botucatu é conhecido como Robertinho”.

De todos os jogadores em atividade, um é especial. Trata-se de Antônio Marques, ou Medalha como é mais conhecido (no destaque). No auge dos seus 82 anos é considerado um dos melhores jogadores de bochas da região. Continua em atividade e pode ser visto jogando todos os dias, no Bar do Bocha, que fica na Rua Curuzu, nas proximidades do prédio do INSS.

“Eu ainda pratico o jogo de bochas todos os dias. Faço isso há mais de 60 anos e só vou parar de jogar quando Deus me tirar as forças. Se contar hora por hora da minha vida posso dizer que passei pelo menos metade de minha vida dentro de um campo de bochas. Já cheguei a passar 14 horas jogando”, lembra.

Medalha viveu a época áurea das bochas em Botucatu. “Hoje não estamos tendo renovação. Se você perceber os mesmos jogadores da época do Viadinho ainda estão jogando. Tem gente boa que se destacou, mas não como naquele tempo. Tirando o Viadinho, a gente tinha pelo menos uns 20 jogadores do mesmo nível e as partidas eram fantásticas. Dezenas de pessoas se acotovelavam no bar para ver os jogos e apostar. Tinha gente que chegava cedo para pegar lugar e ficava o dia inteiro. Que tempo gostoso era aquele”, recorda Medalha, que ainda hoje encontra dificuldades para conseguir fazer um bom jogo. “Quem enfrenta a gente quer vantagem de pontos. E olha que já completei 82 anos”, acrescenta.

E ele lembra um dos jogos em que enfrentou o lendário Viadinho. “Ele me deu quatro pontos de vantagem (em um total de 18 possíveis) e começamos a jogar e as apostas correram soltas dentro do bar. Jogamos por mais de quatro horas e saímos rigorosamente empatados. Só quem ganhou aquele dia foi o dono do bar que ganha uma porcentagem por cada partida disputada.
Não me pergunte quantas partidas nós jogamos. Só posso dizer que foram muitas. Joguei outras vezes com o Viadinho e ele sempre me dando pontos de vantagem para equilibrar o jogo, mas aquele dia foi especial e ficou para a história do jogo de bochas de Botucatu”.

Por: Quico Cuter