Goleiro marcou época no futebol varzeano de Botucatu

Por: Jair Pereira de Souza

 

Os saudosistas do futebol são unânimes em afirmar que Adolfo E.Juste Barros,foi uma das maiores estrelas do futebol amador botucatuense. Começou a jogar futebol aos 10 anos de idade (1943) e encerrou sua carreira em 1993, já com 50 anos. O último clube que defendeu foi Associação Atlética Ferroviária (AAF), onde também teve uma passagem quando juvenil e chegou a treinar com Zé Maria que foi tri-campeão mundial em 1970 com a seleção  Brasileira.

Os clubes principais que defendeu foram Associação Atlética Ferroviária (AAF), Associação Atlética Botucatuense (AAB), Sociedade Amigos do Tanquinho (SAT), Operário, Cruzeiro, Boa Vista, Rodoviário,  além de uma temporada de cinco anos defendendo o América de São Manoel sendo vice-campeão no Amador do Estado.  Também disputou o estadual por Conchas.

Sua marca como grande goleiro foi a de defender muitos pênaltis. Por ser um jogador muito disciplinado seria condecorado pela Confederação Brasileira de Futebol com o premio Belfort Duarte que foi extinto em 1981. Este prêmio homenageava com uma medalha de prata o jogador profissional e com uma medalha de ouro o amador que passasse 10 anos sem sofrer uma expulsão, tendo jogado pelo menos 200 partidas nacionais ou internacionais. Por ter sido extinto este premio, o presidente da Liga Botucatuense de Futebol (LBF) que era o Afonsico Carmoni o premiou com um troféu representativo. Em entrevista ao Acontece Adolfo faz uma relato de sua carreira.

 

Acontece – Adolfo, você poderia nos dizer um momento marcante e de muita alegria na sua carreira?

Adolfo – Foi quando minha esposa estava grávida e já estava se completando os nove meses. Era um sábado e eu torcia para o neném nascer porque no domingo estaria jogando pela AA. Botucatuense num final de campeonato contra o Bairro Alto. Como o neném não nasceu no sábado, fiquei achando que não iria poder jogar a final porque, lógico, eu queria acompanhar todo o processo de parto de minha esposa. O jogo da final iria começar às 15 horas no domingo e eu estava no hospital acompanhando minha esposa e também alguns jogadores que iriam jogar aquela final estavam comigo. Por fim meu filho nasceu às 14h45, faltando 15 minutos para se iniciar a partida. Fomos até o campo e jogamos a final. Naquele jogo fiz grandes defesas e ganhamos a partida por 1×0. Se tivesse empatado não seriamos campeões porque o outro time só precisava do empate. Este foi um momento de muita alegria e emoção dupla, pelo nascimento de meu filho e por ter sido campeão. Como foi no dia do nascimento de meu filho tenho a data com exatidão 12 de agosto de 1961.

 

Acontece – Você poderia nos dizer também um momento que não foi bom em algum jogo? 

Adolfo – Engoli um frango quando jogava contra o time da Vila Maria. Meu time estava no ataque e fiquei adiantado. Nosso atacante perdeu a bola e um jogador da Vila foi lançado um pouquinho para frente do meio do campo e viu que eu estava adiantado e, rapidamente, chutou por cobertura. Foi o gol de maior distância que tomei na minha carreira. 

 

Acontece – Qual a sua principal qualidade como goleiro?

Adolfo – Era muito bom nas saídas de bola e ali na área eu mandava. Saia sempre dando soco na bola, e pular em bolas rasteiras era também meu forte. Por tudo que fiz como goleiro posso dizer que fui especialista em defender pênaltis.

 

Acontece – Você como grande goleiro que foi porque não se profissionalizou?

Adolfo – Joguei cinco anos no América de São Manoel que disputava o Campeonato Amador do Estado e a diretoria pagava um pequeno salário para eu jogar. Não me profissionalizei porque nunca fui atrás e também nunca fui convidado para fazer teste. Na verdade também nunca tive este sonho. 

 

Acontece –  Você sempre jogou de goleiro ?

Adolfo – Sim! Desde os 10 anos quando comecei jogar futebol  já iniciei como goleiro e nunca joguei em outra posição .

 

Acontece – Qual  jogador que no seu conceito foi um dos melhores jogadores que jogou ao seu lado?

Adolfo – Joguei com o Cozido era um excelente batedor de faltas um jogador que sabia muito bem o que fazer com a bola. Lançava muito bem e, no meu conceito, foi um craque de bola.

 

Acontece – Você tem um troféu muito bonito que é um goleiro saltando agarrando a bola. Que troféu é este? 

Adolfo – Este troféu é homenagem feita pela Estopim da Fiel,  torcida organizada do Corinthians. Eles queriam fazer esta homenagem a um jogador de Botucatu e fui escolhido, o que me deixou muito honrado.