Fuminho: O zagueiro que fez nome no futebol amador

Por:  Jair Pereira de Souza

 

Nesta edição o Acontece homenageia mais um grande jogador que fez história no Campeonato Amador de Botucatu: Ariovaldo Raymundo conhecido como Fuminho, um zagueiro central que sabia se posicionar na área como poucos e sempre orientava seus companheiros, trazendo-os para a colocação correta. Este tipo de jogador que organiza o setor defensivo para bloquear o ataque adversário é raro. Em entrevista Fuminho nos revela sua trajetória no futebol.

 

Acontece – Quais os principais times que você jogou no amador?

Fuminho – Com 15 anos disputei meu primeiro campeonato pelo Bairro Alto, depois passei pelo Rodoviário, Inca, Vitoriana, Rubião Junior, Botucatu Atlético Clube e Moldmix, numa época em que o futebol amador era muito forte e brilhante. Defendi também times da região como Bofete em campeonato regional disputado em Conchas e joguei amador da região de Avaré por um time de Itaí. Disputei o campeonato em São Manuel pelo time do Auto Ônibus São Manuel e também o Corinthinhas daquela cidade, além do Campeonato Amador do Estado pelo Palmeirinhas.

 

Acontece – Você poderia nos dizer um momento marcante, na sua carreira que nunca esquece?

Fuminho – Foi um gol que fiz, jogando pelo Bairro Alto contra a AA Ferroviária e o fato interessante é que o goleiro era meu irmão Agenor, que também tem história no amador de Botucatu e foi um excelente goleiro. Este gol foi uma falta que cobrei do meio do campo. Gol de falta do meio do campo é coisa rara que acontece uma vez só na vida e tive a felicidade de fazer. Foi um lance que ficou marcado e sempre vou me lembrar.

 

Acontece – Também cite um fato que te entristeceu, que não foi bom na sua carreira.

Fuminho –  Tive uma fratura grave na perna, até achei que não voltaria mais jogar futebol. Foi um jogo sem importância, numa partida festiva, entre Lageado e Edgárdia. Sem querer um jogador adversário pisou no meu pé e desequilibrei. Cai e fraturei a perna e não foi jogada violenta. O jogador adversário não teve culpa nenhuma, mas foi um momento triste e doloroso.

 

Acontece – Fuminho você com toda a qualidade técnica  que tinha porque não se profissionalizou? 

Fuminho – Muita gente não sabe que fiz teste na Portuguesa de Desportos. Foi em 1974, um tio meu tinha amizade com presidente Osvaldo Teixeira Duarte, que hoje tem seu nome no estádio. Também esteve o Julinho que era de Botucatu e jogava na Portuguesa. E fui ao treino no carro do OsvaldoTeixeira. Na ocasião ele foi enfático e disse que se eu não tivesse condições, não perderia tempo comigo porque estava em fase escolar. Treinei por duas semanas e fui aprovado no teste. Mas não retornei porque decidi dar continuidade aos meus estudos. Também fui apresentado por Nézio Ferrer com alguns jogadores de Botucatu para fazer teste no Rio Claro que tinha como técnico um ex-jogador chamado Gaspar. Fiz o teste e no final ele, além de me aprovar, disse que ficaria comigo, mesmo se saísse do time de Rio Claro e me levaria com ele para onde fosse trabalhar. Da mesma forma retornei para Botucatu e não voltei. Assim continuei jogando no amador em Botucatu, por amor ao futebol e estou até hoje em atividade. Comecei jogar no infantil da Associação Atlética Botucatuense (AAF) com 13 anos e completei 59 anos em atividade e jogo no F50 da Ferroviária. Jogamos aos sábados e viajamos para outras cidades da região com a equipe formada por jogadores acima de 50 anos.

 

Acontece – Qual a sua principal qualidade como jogador ?

Fuminho – Tinha uma boa qualidade técnica, sempre procurava dominar a bola e sair jogando com tranqüilidade. Marcava bem e, na maioria das vezes, levava vantagem sobre os atacantes. Ganhava muito nas bolas altas de cabeça, tinha um bom posicionamento e sempre orientava meus companheiros. Era um técnico dentro de campo. Hoje em dia está em falta este tipo de jogador, que orienta e comanda uma zaga, como eu comandava.

 

Acontece – Cite um jogador que para você foi um dos melhores que jogou ao seu lado. 

Fuminho – Para mim um dos melhores foi o Polaquinho,  que hoje é professor na Veterinária da Unesp. Um quarto zagueiro de muita qualidade técnica, subia bem de cabeça, tinha uma disciplina tática incrível. Não só era um ótimo jogador, mas extremamente educado.

 

Acontece – Fuminho você poderia fazer uma comparação do futebol amador da sua época com a de hoje?

Fuminho – Na minha época o campeonato era federado através da Liga Botucatuense de Futebol, pela Federação Paulista. Cada jogador tinha um registro na Federação. Porém, a Liga Botucatuense foi destruída e tem uma dívida com a Federação. Hoje o futebol de Botucatu não é amador,  mas varzeano porque é organizado pela Prefeitura. Por não ser Federado Botucatu fica bloqueada para disputar grandes campeonatos, como o Amador do Estado, Campeonato Paulista e Brasileiro Juvenil. Então enquanto a Liga Botucatuense não for resgatada não teremos uma representatividade forte no futebol. Não sei o valor da divida, mas acredito que seja uma questão de conversar e resolver.