Em entrevista coletiva Neymar fala sobre seu futuro

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Após permanecer quatro dias em casa se recuperando, Neymar proporcionou nesta quinta-feira, na Granja Comary, em Teresópolis, o momento mais bonito dos quase 50 dias em que a seleção brasileira vai ficar reunida para a disputa da Copa do Mundo. Em entrevista coletiva que durou mais de 30 minutos, o atleta não se furtou em falar e respondeu a todos os questionamentos feitos pelos repórteres e traçou seus planos futuros. Ele se considerou parte do vexame da goleada sofrida pelo Brasil por 7 a 1 e disse não ter mágoa do colombiano Zúñiga, que foi o responsável por seu afastamento da seleção, nas quartas de final do Mundial.

 

Zúñiga

“Foi um lance que não concordo, não aceito. Não vou falar que foi desleal, que ele veio na maldade, que fez isso ou aquilo porque não estou na cabeça dele. Todos que entendem de futebol sabem que não é uma entrada normal. Quando você quer fazer uma falta para quebrar o contra-ataque, você segura, empurra. Da forma como ele veio e da forma como a bola vinha, foi uma entrada que não é de situação de jogo. Quando estou de frente e tenho a visão periférica eu consigo me defender. De costas, eu não consigo me defender. A única coisa que pode me defender de costas é uma regra. Foi um lance que eu não tinha como me proteger e eu acabei me machucando”

 

Perdão

“Deus me abençoou naquele lance. Se fossem dois centímetros para dentro eu hoje poderia estar numa cadeira de rodas. Complicado você falar. Num momento tão importante na minha carreira, isso faz parte. Aconteceu e vida que segue. Eu o desculparia, sim. Não tenho rancor, ódio. Ele até me ligou, falando que não queria me machucar, que sentia muito. Falou um bocado de coisas legais. Não sinto ódio e desejo que Deus o abençoe e que ele tenha sucesso na carreira dele”.

 

Vexame

“Não tenho vergonha nenhuma de falar que fiz parte dessa equipe que levou de 7 a 1.  Foi uma coisa inacreditável, inexplicável. Não consigo explicar. Foi um apagão que teve na nossa equipe. Ficou difícil de reverter. Não existe o “se”. É muito fácil falar depois que as coisas acontecem. Já passei por isso e sei como é conviver com um apagão dentro de campo. Você não consegue fazer nada. Tem que torcer logo para que acenda a luz rápido. Não vim aqui para explicar o que aconteceu na partida. Perguntei e eles não têm como explicar. Se eles não conseguem, quem sou eu para explicar. Tem que lamentar a derrota, ficar triste. Todos os jogadores buscaram isso. E todos são merecedores de estar aqui. Se parar para fazer a convocação novamente 90, 95% vão ser os mesmos jogadores. Não é por causa da perda de um título que os jogadores são ruins. Não tem o que falar. Aconteceu. Faz parte do futebol. Estamos dispostos a tudo dentro de campo. Infelizmente aconteceu com a gente. Não queríamos passar por isso. Principalmente pelas nossas famílias, que acabam sofrendo mais do que a gente. A gente é forte o suficiente para aguentar tudo isso”. 

 

Reencontro 

“Estou muito feliz por ter voltado a reencontrar os companheiros. Claro que numa situação ruim. Só de eu ter a oportunidade de estar andando, revendo meus companheiros. Começamos juntos e vamos terminar juntos. Independentemente do que aconteceu, se não conseguimos o título, estamos fechados, unidos e vamos terminar juntos, honestamente, no sábado. O que espero daqui pra frente é que a gente seja alegre como sempre. Não é por causa de uma derrota histórica que temos de baixar a cabeça. Faz parte do futebol. Eu sou um cara que não gosta de perder de jeito nenhum. Ainda mais no esporte que amo. Vai doer por muito tempo, mas vai passar e dias melhores virão. Vamos fazer de tudo para que a gente possa devolver a alegria aos nossos rostos, da família e do povo brasileiro. O semblante é de tristeza, chato. O que mais me deixou feliz na volta pra cá é que tiveram pessoas aplaudindo, gritando o nome dos jogadores, depois de uma derrota feia. Agradeço a todos os torcedores que nos apoiaram. Assumimos a responsabilidade de ter perdido. Vida que segue. Dias melhores virão. Que a gente volte a ser feliz o mais rápido.” 

 

Copa

“Eu queria acordar e estar em campo com os meus companheiros. Não tem como pensar daqui a quatro anos. Fizemos de tudo para conseguir. Tivemos a oportunidade de marcar o nosso nome na história de forma positiva. E falhamos, deixamos a desejar. Não fizemos uma campanha boa. Demonstramos um futebol regular, por isso que chegamos na semifinal. Não mostramos futebol de seleção brasileira, que encanta a todos. Agora é encarar o jogo de sábado como se fosse final e terminar a Copa do Mundo sorrindo, com uma vitória. Não vai confortar tanto. Não vai assimilar tanto a dor, mas é importante”. 

 

Argentina

“Vou torcer pelo Messi e pelo Mascherano. Tenho dois companheiros (de Barcelona) lá, vou torcer por eles. Um brasileiro torcendo para a Argentina.  Não estou torcendo pela Argentina, mas por dois companheiros que aprendi a admirar. Messi é um jogador que eu tinha como espelho, ídolo, e que admirava de longe. Ali (no Barcelona) passei a admirar como pessoa e ver que nos treinos ele é tão ou mais especial. Se você me disser que eu sou Messi Futebol Clube, eu sou. Torço por ele. Desejo toda a sorte do mundo para ele e para o Mascherano, eles merecem”.

 

Futuro

“Eu quero o algo a mais. Se eu treino hoje bem, amanhã quero treinar melhor ainda. Vou ter que treinar mais, me dedicar mais. Fazer tudo a mais para daqui a quatro anos estar numa Copa do Mundo novamente. Fomos fracassados, sim. Perdemos. Mas foi o que falei, faz parte do futebol. Não queríamos perder dessa forma. Pelo menos eles correram, mesmo perdendo de 7. Não avacalharam. Correram como homens. E isso é que sinto orgulho de todos eles. São pessoas que passo a admirar ainda mais”.