BTC: um time de futsal que ninguém esquece

Uma reunião pra lá de interessante para o esporte botucatuense aconteceu recentemente, entre dirigentes e atletas da inesquecível equipe de futebol de salão do Botucatu Tênis Clube (BTC) dos anos 80, na comemoração dos 30 anos da conquista do título do Campeonato do Estado – Fase Interior.

Para muitos, foi este o melhor e mais bem montado time da história do futebol de salão botucatuense e ficou conhecido como a “geração de ouro”. O grupo foi montado por uma diretoria que tinha Nilceu Giacóia, Pedro Pontes Sobrinho, Renato Vieira de Mello, Odair Teixeira, Padre Ludovico Camargo, Paulo Firmino, Renê Alves de Almeida, ou por aqueles que já não estão entre nós como: Rosemir Iamundo, Luiz Barduco, Pedro Pontes e Irani Barreto.

Esses diretores montaram um grupo que acendeu a chama do futebol de salão na cidade. E o BTC sempre conseguiu montar grandes equipes, que conseguiram vários títulos como a formada em 1960, que tinha Felipe, Ageo Mauricio, Zague, Zé Quinteiro, Nélio de Castro, Mário Messias, Zé Fontes, Dema Vicentini, Ademar Messias, Beto Furquim e Joel Spadaro.

Mas nada se compara a equipe de 1980. Isso porque aquela equipe mobilizou (e encantou) toda a cidade. Foi este ano que o BTC teve a sua grande projeção no futsal. A final do interior teria que ser decidido em dois jogos. O 1º jogo em Jabuticabal, que tinha, também, uma equipe notável. Placar em Jaboticabal: Jabuka 2 x BTC 1. O jogo de volta foi no noite de 26 de setembro. Ginásio do BTC lotado e a equipe botucatuense precisava vencer no tempo normal, para provocar uma prorrogação. No tempo normal o resultado foi: BTC 2 x 0 Jabuka, com dois gols do Lulinha.

Veio a prorrogação de 5 minutos por 5 minutos. Nos primeiros 5 minutos 0 x 0. No segundo tempo da prorrogação, Fernando Mello explodiu o ginásio do BTC e os que estavam torcendo do lado de fora, ouvindo a locução do jogo sendo feita pelo radialista Elias Francisco na Rádio PRF-8: 1 a 0. Com este resultado, o BTC, foi o campeão do interior da categoria máxima do futsal.

O técnico daquela equipe foi Milton Mauro Caricati Devidé, o popular Bolinha. Ele formou o grupo com os jogadores Bianco, Celestrim, Lulinha, Mané, Zé Eduardo, Fernando Mello, Bosco, Zé Aroldo, Dito Manivela, Paulo Amorim, Zé Ricardo, Dimas, Plininho, Zé Pascoalick, Gildinho e Agenor. Também faziam parte daquela equipe Adolfo Chocolate, Serrão e Marcinho, que faleceram, precocemente. O preparador físico era o professor Tieghi.

{n}Guerra em Jaboticabal{/n}

Mas, neste mesmo ano, esse grupo teve uma experiência nada agradável, que foi um dos assuntos relembrados pelo grupo, nesta reunião comemorativa aos 30 anos da conquista do título de campeão do interior: a decisão do Campeonato Estadual entre as quatro melhores equipes de São Paulo. Além do BTC (campeã), representava o interior a equipe Jaboticabal (vice-campeã). Completavam o quadro o Palmeiras (de Sorage) e o Corinthians (de Medina).

O 1º jogo do Estadual foi em Jaboticabal. Chegando ? cidade com o ônibus da Empresa São Manoel, alguma coisa estranha estava no ar. O jogador Mané estava sozinho do lado de fora do ginásio esperando o ônibus de Botucatu chegar. Quando o BTC chegou, Mané disse que o ambiente não estava nada bom, pois segundo alguns torcedores de Jaboticabal o “vulcão” seria grande. Inicio da partida, ginásio lotado.

Aos 12 minutos o BTC marcou um gol e o juiz da partida, o famoso “Pachecão” anulou. O (inconformado) técnico Bolinha gritou reclamando da anulação do gol legitimo. O juiz chegou até perto do Bolinha e mandou observar a pressão da arquibancada. “Se eu validasse o gol poderia acontecer o pior”, disse o juiz.

Bolinha, então, percebendo a intimidação, solicitou um tempo ao mesário. Nesse pedido de tempo, os torcedores já começaram a derrubar a aparelhagem da PRF-8 que foi até Jaboticabal fazer a transmissão do jogo. Os jogadores reservas e membros da diretoria do Jaboticabal partiram para cima dos jogadores do BTC que correrem para o vestiário. Porém, antes de entrar no vestiário tinha outro grupo de torcedores esperando e não faltaram socos e pontapés.

Depois de uma hora de confusão, os jogadores do BTC saíram aos pares até a viatura da policia e levados para a delegacia de Jaboticabal, onde se encontrava o ônibus da delegação de Botucatu. Foram escoltados, aproximadamente, uns 20 km de estrada, retornando a Botucatu. Depois desta violência toda a equipe de Jaboticabal teria que jogar em Botucatu, pelo Estadual, mas não compareceram temendo represália e foi desclassificada.

Na continuidade do Estadual o BTC, em jogos de ida e volta, enfrentou o Palmeiras (empatou em Botucatu em 1 a 1 e perdeu em São Paulo por 5 a 1) e Corinthians (1 a 1 em Botucatu e perdeu de 3 a 1 em São Paulo) e terminou na terceira colocação. Esse mesmo grupo ainda disputou (e venceu) torneios, mas foi desfeito em 2002.

Por: Quico Cuter – Da redação