Botucatuense viaja por vários países para ensinar capoeira

O professor de capoeira botucatuense Mestre Pinóquio irá visitar alguns países para ensinar a técnica. O capoeirista irá ministrar cursos na África, Turquia, Hungria e Rússia no mês de abril. “Minha viagem vai durar cerca de 40 dias. Passo por Budapest na Hungria, Blida na Argélia, Moscou na Rússia e Denizli na Turquia.”

“Há 12 anos meu Mestre migrou de Botucatu para Albuquerque, cidade do Novo México. Hoje ele tem em sua supervisão dez países que realizam anualmente eventos de capoeira. Neste ano fui convidado pelo Mestre para fazer uma turnê ao seu lado, para dar cursos e atuar em atividades relacionadas à capoeira, para dar suporte ao grupo. Além disso, terei uma excelente oportunidade para realizar treinos intensivos, me reciclando e assim oferecendo uma boa capoeira aos meus alunos, inclusive os aqui do Brasil”, contou ao Acontece Botucatu.

No ano de 2014 Mestre Pinóquio já visito o exterior difundindo a arte da capoeira. “Cresci admirando os grandes mestres, vendo eles em revistas de capoeira, ouvindo seus CDS e imaginando como eles seriam. Hoje em dia, entre um evento e outro, encontro mestres que são a própria história da capoeira em vida, tanto da Angola como da capoeira regional”, comemora.

Como começou

“Meu interesse pela capoeira foi estranho. Certo dia veio na cabeça que queria fazer capoeira, mas nunca tinha visto a técnica. Dias depois viajei para Mairinque na casa de um primo e minha tia disse que ele estava fazendo capoeira, corri pedir para ele me mostrar como era. Fomos no quintal da casa dele mesmo e conforme ele ia me mostrando eu conseguia reproduzir com facilidade. Acabei ficando feliz e empolgado e passei a me dedicar”.

 Este ano Pinóquio completa 20 anos de capoeira. “Desde que comecei nunca interrompi os treinos, comecei com o Mestre Chouriço, depois fui aluno do finado Mestre Durinho que me ensinou fazer shows de Maculele, Facão e fogo, fui aluno do Mestre Canhão e por último Mestre Virgulino. Sou muito grato por essas pessoas, fizeram ser quem sou na capoeira e na vida”, explicou. “Eu não entrei para capoeira, aos poucos ela foi entrando na minha vida, naturalmente”.

Incentivo

Capoeira significa “mato ralo” e, segundo Pinóquio, a técnica está fazendo jus ao nome, já que se espalhou pelo mundo todo. “Vejo uma cultura linda e rica sendo exportada e valorizada a cada dia mais fora daqui. Nossa cidade mesmo já perdeu bons capoeirista que hoje vivem no exterior. Seria ótimo se tivéssemos salários dignos para os mestres de capoeira, patrocínios como acontece muito nas artes marciais, que trazem troféus e medalhas para cidade, porém, na roda de capoeira não existe vencedor, o homem vale pela sua arte. Mesmo assim, os empresários deveriam se atentar que um atleta de competição participa de alguns campeonatos por ano, o capoeirista comprometido viaja e se apresenta o ano todo, quase todo final de semana. Mesmo sem apoio vamos até o outro lado do mundo, imaginem se houver investimento onde podemos chegar”, finaliza Pinóquio.