Botucatuense foi o primeiro jogador negro a atuar no Japão

O botucatuense Dorival Carlos Esteves, ou Kalé como é mais conhecido, hoje com 67 anos, foi o primeiro negro a jogar no futebol japonês, quando chegou ao Yanmar Diesel de Osaka (depois Cerezo Osaka), em 1968. Atualmente reside em Americana, interior de São Paulo, e trabalha em uma empresa de transportes da cidade, a Ouro Verde.

Kalé nasceu em Botucatu em 05 de março de 1947, e iniciou sua carreira jogando na lateral direita no infantil da Associação Atlética Ferroviária (AAF) e foi para o time principal assumindo a posição que era de Zé Maria, o “Super Zé”, que havia se transferido para a Portuguesa de Desportos. Foi contratado pelo Juventus, onde atuou ao lado de Milton Buzzeto, Cabeção, Mão de Onça,  Pando, entre outros importantes nomes que passaram pelo time da Mooca.

Emprestado ao SAAD, clube de São Caetano do Sul, retornou ao Juventus para ser contratado pelo Yanmar Diesel de Osaka onde permaneceu entre 1968 e 1973, conquistando quatro títulos (bicampeão do Campeonato Japonês e a Taça do Imperador por duas vezes). Foi eleito o melhor lateral-direito do futebol japonês por três anos consecutivos (chuteira de ouro, em 1970/71/72).

De estilo ofensivo, Kalé marcou vários gols pelo time japonês, incluindo um em seu jogo de estreia, em 26 de dezembro de 1968. Após encerrar sua carreira, Kalé passou a ministrar clínicas de futebol no Japão, onde permaneceu até 2005, ano em que retornou ao Brasil. “Fui o primeiro negro a atuar no futebol japonês e nunca sofri preconceito. Sempre fui muito respeitado e querido no Japão, um país maravilhoso”, disse em recente entrevista ao Portal Terceiro Tempo.

Revelou que nunca sofreu preconceito racial nem no Brasil, nem no Japão. “Não sofri nenhum preconceito racial. Eles tinham curiosidade em ver um negro, principalmente no esporte. Chegavam perto de mim e me achavam bonito”, disse comentando o caso recente em que goleiro Aranha, do Santos, foi chamado de “macaco” por alguns torcedores do Grêmio.

Eu não tenho a mínima condição para dizer qual medida ele deveria tomar, ou chamar algum diretor ou o próprio juiz, aquilo que seria mais correto para aquele momento. Os jogadores são agredidos de toda maneira. Xingados e ofendidos. Juízes e bandeirinhas também. Se eu fosse vítima disso eu comunicaria às autoridades, mas eu tentaria continuar jogando normalmente”, finalizou.