Botucatu perde o seu maior ícone do judô

O judô de Botucatu está de luto! Morreu na noite desta quinta-fera (10) aos 67 anos de idade, um dos mais importantes propulsores do judô: professor Mateus Sugisaki, que estava internado no Hospital Amaral Carvalho, em Jaú. A notícia da morte de Sugizaki, um dos esportistas mais respeitados e premiados do judô nacional, causou grande comoção na Cidade. Por tudo que fez pelo esporte, Mateus Sugikaki, deixa uma grande lacuna no esporte.

Como aconteceu a milhares de famílias de imigrantes, a história de Mateus Sugisaki é do filho que, mesmo vivendo no meio rural e em condições extremamente humildes, os pais assumem o dever de proporcionar um mínimo de escolaridade, com total sacrifício do conforto material.

Nascido em Arandu, 1946, quando ainda era um distrito, para que tivesse a oportunidade de estudar, seus pais deixaram a lavoura e mudaram-se para a cidade de Avaré. Para sobreviver, o pai trabalhou em inúmeras atividades profissionais, desde comerciante ambulante a ferreiro e, inclusive a mãe era conhecida como a Dona Laurentina da bicicletaria. Quando o pai se firmou como professor de judô, por sinal, uma atividade que até então era simples passatempo, alguma melhoria financeira começava a despontar entre as nuvens de dificuldades.

Acompanhando o pai, o “Seu Mário” do Judô, começou a praticar essa atividade esportiva aos onze anos, após a fundação da Academia Avareense de Judô, em 1957. Desde o início, o jovem Sugizaki ficou muito entusiasmado porque tinha algo de místico que exercia uma forte atração devido as histórias sobre os “samurais” que seu pai lhe contava.

A partir dos 15 anos se dedicou aos sonhos da conquista esportiva, sem saber muito bem o seu significado. Recebeu a faixa-preta aos dezesseis anos, quando ganhou, também, o primeiro título esportivo de maior expressão, de Campeão Paulista Juvenil de Judô. Após realizar alguns cursos técnicos de judô, começou a auxiliar meu pai nas suas atividades de ministrar aulas.

Em 1965 veio morar em Botucatu, intensificou os treinamentos e se transformou num dos maiores nomes do judô internacional e representou o Brasil em incontáveis eventos, viajando para outros países. Sua estréia internacional foi nos Jogos Universitários de Tóquio, no Japão, em 1967, quando obteve a primeira medalha internacional, de terceiro colocado na categoria até 70 kg. Depois vieram dezenas de títulos.

A conquista de títulos inéditos para o Judô brasileiro, como de Campeão Mundial, em 1968, no Campeonato Mundial Universitário de Lisboa foi fato marcante para consolidar sua vida esportiva e a formação profissional. Foi técnico da Seleção Brasileira na Olimpíada de Moscou, em 1980. Outros eventos internacionais em que atuou como técnico da seleção foi o Mundial Junior, Jogos Sulamericanos e, orientando a seleção do Chile, no Campeonato Panamericano de 1977.